Lula diz que senadores ''baixam nível do debate''

Presidente criticou ?perda de tempo com xingamentos? e voltou a dizer que crise não pode paralisar Senado

Vannildo Mendes, ANÁPOLIS, O Estadao de S.Paulo

14 de agosto de 2009 | 00h00

Defensor da manutenção de José Sarney (PMDB-AP) no comando do Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem duas críticas aos senadores que estariam, a seu ver, "baixando o nível dos debates" e "perdendo tempo com xingamentos", em prejuízo da discussão e votação dos assuntos de interesse do País. Para ele, está havendo inversão de prioridades na Casa. O presidente deu as declarações em entrevista a duas emissoras de rádio de Anápolis, onde foi vistoriar as obras da Ferrovia Norte-Sul - que corta a cidade - e anunciar benefícios do governo federal para Goiás. Lula considerou graves as denúncias feitas pela imprensa e pelo Ministério Público e defendeu a tese de que todas sejam apuradas e os culpados, punidos. Mas argumentou que o Senado não pode parar por causa da crise. "O que você não pode é transformar a denúncia em única razão de ser de 81 homens que têm responsabilidade de representar um Estado e uma nação", afirmou. De acordo com o presidente, o Senado está concentrando atenção demais nas denúncias de irregularidades e deixando de lado as prioridades do País. Em sua avaliação, o baixo nível dos debates só empobrece o Poder Legislativo. "Ninguém está pedindo para deixar de investigar, mas as investigações não podem atrapalhar a razão principal da existência do Senado, que é votar as leis", enfatizou. "Temos coisas importantes para votar e isso não pode ser deixado de lado." Pouco depois, em discurso, o presidente voltou a acusar o Tribunal de Contas da União (TCU) de atrasar projetos federais, ao determinar a paralisação de obras, por motivo de irregularidades. "Não é justo mandar parar uma obra, mesmo quando há algo errado, porque o custo fica muito mais caro para o País e o povo", disse Lula, num palanque montado ao lado do canteiro de um trecho da ferrovia que corta Anápolis. A construção de 2,25 mil quilômetros idealizada para ligar os Estados do Norte e Nordeste ao Sul e Sudeste teve partes paralisadas no ano passado por determinação do órgão. O mais correto, segundo o presidente, seria corrigir os erros sem interromper a obra. Lula lembrou que a ferrovia foi um projeto do senador José Sarney quando era presidente da República, que construiu os primeiros trechos em 1987 e os governos seguintes construíram apenas 215 quilômetros da rede. O projeto do atual governo é concluir 1.350 quilômetros até o fim de 2010. A Ferrovia Norte-Sul sai do Pará, corta o Norte e o Centro-Oeste e terminará em Estrela do Oeste, no interior de São Paulo, onde outro entroncamento levará a produção agrícola das várias regiões para o Porto de Santos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.