Lula diz que reformas causarão perdas e pede sacrifícios

Um dia após ouvir em Minas Gerais protestos contra as reformas da previdência e tributária, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou hoje um recado velado, mas claro, ao funcionalismo, um dos setores mais atingidos pelas propostas. Em solenidade no Palácio Anchieta, sede do governo capixaba, ele reconheceu que alguns setores vão perder com as mudanças, reafirmou que elas serão feitas e citou a Crucificação para pedir que o povo se sacrifique pelo bem do País. "Se Jesus Cristo precisou ser crucificado para salvar a humanidade, por que cada um de nós não coloca um pouco do nosso sacrifício para salvar este imenso Brasil, que tanto precisa de nós?", discursou. Do lado de fora, servidores seguravam cartazes de protesto contra as mudanças. "Taxação de aposentados é imoral e ilegal", dizia uma faixa."Ou nós faremos reforma na Previdência Social ou daqui a alguns anos, não é que o funcionário vai receber pouco, daqui a alguns anos os Estados não terão dinheiro para pagar, nem pouco nem muito", afirmou. "Ou nós fazemos a reforma tributária ou este País não será competitivo. Estamos competindo contra países que não exportam impostos e muitas vezes estamos exportando impostos. Alguém vai perder? Vai. Alguém vai pagar mais? Vai. Mas é assim na vida."Em uma "Carta Aberta ao Presidente Lula", os servidores denunciaram uma suposta campanha do governo e da mídia em torno das idéias de que a Previdência é deficitária e de que os funcionários são os culpados por isso. Segundo o texto, o PL-9, projeto que cria os fundos de pensão complementares para os trabalhadores do serviço público, "significa a transferência de recursos da União e dos servidores para o setor privado".Veja o índice de notícias sobre as reformas

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.