Lula diz que PT errou, mas prega defesa de acusados

Sem usar boné nem broche do PT, opresidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou os petistas nestesábado a defender os integrantes do partido acusados departicipação no esquema do mensalão. No congresso nacional da sigla, ele reconheceu que o PTcometeu erros mas, ainda assim, é o mais ético entre todos ospartidos. Acusado pelos crimes de corrupção ativa e formação dequadrilha, o ex-ministro José Dirceu estava na platéia. "O que é importante é que nada que nos aconteça pode nosesmorecer. Não temos o direito de nos sentir derrotados,qualquer que seja a adversidade que enfrentemos. E o maisimportante: nenhum petista tem que ter vergonha de defender umcompanheiro", disse Lula na mensagem ao 3o Congresso do PT,realizado em São Paulo. Sem mencionar diretamente o mensalão nem o nome dosenvolvidos, afirmou que os acusados pelo Supremo TribunalFederal (STF) que forem considerados culpados terão de pagar,mas eximiu os demais petistas e ele próprio de envolvimento nocaso. "Saio desse congresso com a alma lavada (mesmo) sabendo quealguns companheiros nossos foram indiciados pela Suprema Cortebrasileira", afirmou o presidente, em discurso de uma hora paracerca de mil petistas. "Vocês sabem que não costumo falar sobre decisões daJustiça. Mas eu queria que os petistas tivessem em mente umacoisa. Até agora nenhum deles foi inocentado, mas também nenhumdeles foi culpado. E somente esses companheiros, nem eu nemvocês, sabemos o que aconteceu", completou. Lula ponderou que há tempo para que os acusados sedefendam, mas alertou: "Quem errou estará subordinado às mesmasleis, às mesmas regras que os 190 milhões de habitantes destepaís". Em uma tentativa de levantar o ânimo da platéia, disse que"o que é importante é que uma luta não se faz sem dor esofrimento" e citou lideranças de esquerda já mortas, comoApolônio de Carvalho, filiado de primeira hora do PT, e ocartunista Henfil. "Na política, não podemos perder a sensibilidade, ocompanheirsmo, quando a gente está vivendo um momento difícil",disse Lula, que estava acompanhado de oito ministros. Sua presença era aguardada para sexta-feira, mas ele adiouo pronunciamento, o que colaborou para que na véspera a platéiaaclamasse Dirceu, ex-presidente do partido e ex-ministro daCasa Civil. Mesmo admitindo erros, ele elogiou o comportamento dopartido ao afirmar que "é verdade que os erros existiram eprecisam ser apurados, mas ninguém tem mais autoridade moral eética do que o PT". "O que o Lula falou é o sentimento médio do PT, um partidoque enfrentou problemas, mas de maneira madura", reagiu odeputado Ricardo Berzoini, presidente da sigla, após odiscurso. Para o ministro da Justiça, Tarso Genro, "o que opresidente falou é que as pessoas não podem ser julgadaspreviamente e que ninguém pode se envergonhar de tersolidariedade com essas pessoas". O ministro faz campanha dentro do partido para se crie umacorregedoria e um código de ética que punam desvios, propostaapoiada por tendências mais à esquerda. Adversários de Tarso,com destaque para a principal corrente petista (Construindo UmNovo Brasil), vêem na medida a instalação de um departamento depolícia na legenda. CANDIDATURA EM 2010 O presidente Lula também passou um recado claro aosintegrantes do partido sobre a eleição presidencial de 2010.Afirmou que seu sucessor não deve sair necessariamente do PT,manifestação que foi feita por muitos petistas na abertura doevento. "Disse e reafirmo que passarei a faixa presidencial parameu sucessor no dia 1o de janeiro de 2011. Lutarei, no entanto,para que o futuro presidente seja alguém identificado com onosso projeto, capaz de dar continuidade e profundidade à obraque nós iniciamos", afirmou, acrescentando que tanto o PT comoos aliados que formam a coalizão de governo têm nomes para asucessão. O congresso do PT é o terceiro em 27 anos de existência dalegenda e foi convocado justamente em meio a crise do mensalão,em 2005. O evento tem poder para mudar o estatuto e o programada legenda. A antecipação das eleições internas para este ano, aconvocação de uma Constituinte exclusiva para realizar areforma política e a sucessão de Lula em 2010 estão entre ostemas do evento.

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