Lula diz que PPS mente sobre caderneta de poupança

Inserções na TV insinuam que governo fará confisco como o de Collor

Lisandra Paraguassú e Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ontem à associação feita pelo PPS entre seu governo e o do hoje senador Fernando Collor (PTB-AL) em inserções veiculadas no rádio e na televisão. Em visita a Itumbiara (GO), onde inaugurou o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Lula afirmou de início que o tema nem sequer merecia ser comentado. Em seguida, emendou: "O que é grave é que um partido faz uma propaganda e pode passar por mentiroso, isso é que é grave".A declaração do presidente abriu mais um capítulo no conflito protagonizado pelo PPS e pelo PT por causa das inserções. No vídeo, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) aparece dizendo que o governo pretende "mexer" na caderneta de poupança, assim como fez o governo Collor, que confiscou os depósitos em 1990. Assim que tomou conhecimento do conteúdo do material, o PT anunciou que apresentaria um questionamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ontem, o PPS deixou claro que não tem planos de recuar. Jungmann avisou que a legenda se prepara para lançar, na próxima semana, uma "campanha nacional em defesa da caderneta de poupança". "É uma clara tentativa de censurar o nosso partido. O que eles querem é abafar o debate político", afirmou Jungmann, em referência aos planos do PT de entrar na Justiça. Ele disse que vai apresentar ao PPS um requerimento em favor da campanha já na próxima segunda-feira, em reunião da Executiva Nacional do partido. Jungmann, que estará no Recife (PE) no final de semana, prometeu sair pessoalmente às ruas para colher assinaturas em apoio à iniciativa. "Vamos brigar contra essa tentativa de garfar o pequeno poupador."O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), também voltou a criticar as inserções do PPS. "Eles insistem em tentar enganar a população", disse o dirigente petista, reiterando que o departamento jurídico do partido está encarregado de providenciar o questionamento das inserções no TSE. Jungmann disse não temer o resultado da ação. "Se o TSE decidir em favor do PT, não tem problema. Vamos reformular e continuaremos na batalha."

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