Lula diz que pedirá reforma política após deixar cargo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou hoje, durante discurso na Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, seus planos para os dias em que não for mais presidente. "Eu vou ser um leão para que o meu partido assuma a responsabilidade de, junto com outros, fazer uma reforma política para que a gente possa ter as coisas mais visíveis", adiantou. "Porque não é da responsabilidade do presidente fazer a reforma política, é de responsabilidade dos parlamentares e que, portanto, nós temos de priorizar".

ELDER OGLIARI, Agência Estado

29 Julho 2010 | 18h52

Além de reclamar de "uma cultura" que teria dificultado a reforma política até agora, Lula também voltou a se queixar das dificuldades para iniciar obras por conta de licenciamentos ambientais. O presidente lembrou que alguns investimentos já ficaram paralisados para estudos de pererecas e machados indígenas, mas não quis culpar os funcionários que colocam objeções ao andamento das obras. "Nós temos que fazer as leis com mais responsabilidade", propôs.

Ainda na linha das promessas de final de mandato, Lula sugeriu que a imprensa - "que gosta tanto de mim" - e seus adversários o ajudem a comparar quem fez mais investimentos no Rio Grande do Sul entre os governos dos 25 anos anteriores e o dele, em oito anos. Na sequência, disse que vai pedir que cada um de seus ministros, na entrega dos cargos, no final do ano, apresente relatório registrado em cartório informando cada centavo que gastou em cada metro quadrado do País, como um registro histórico do que foi feito. "Quando cheguei à presidência nem agenda de ex-presidente a gente achava", comparou.

Mais reformas

Numa entrevista publicada pelo jornal Correio do Povo desta quinta-feira, Lula disse que não sabe direito o que vai fazer em 2011, mas reiterou que pensa em participar das grandes reformas de que o Brasil precisa, citando a Tributária e a Política. "Gostaria também de levar a experiência acumulada na implementação dos programas sociais aqui no Brasil para países da África e da América Latina", disse.

O presidente também abordou o cenário político que considera ideal para 2014 e deu a entender que não prevê participar dele. "Eu acredito que a ex-ministra Dilma Rousseff estará eleita e estará no último ano de governo. Ela tem todas as condições para fazer um governo que vai chegar ao final muito bem avaliado e será natural que queira disputar a reeleição. Portanto, vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos", comentou.

Copa do Mundo

No estádio Beira-Rio, Lula voltou a defender a promoção da Copa de 2014 pelo Brasil. Numa resposta aos que criticam o investimento, o presidente comparou os mundiais de 1950, também organizado pelo País, e o próximo. "Eu fico pensando: se no tempo em que a gente só tinha café para exportar a gente fez a Copa do Mundo, por que não podemos fazer a de 2014, quando o Brasil estará perto de ser a quinta economia do mundo?", perguntou.

Cercado por dirigentes do Internacional e de alguns jogadores, como Tinga, Kleber, Bolívar e Sandro, Lula mostrou-se triste pelo Brasil ter perdido da Copa de 2010, mas recorreu ao ditado "Deus escreve certo por linhas tortas" para manifestar esperanças para o próximo mundial. "Se a gente não pode ganhar 2010 é porque Deus sabe que não podemos perder 2014".

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