Lula diz que países estão ´longe´ das metas do Milênio

Em artigo publicado no relatório do Programa de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, divulgado nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que a comunidade global está "longe de atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio" e que isso fica demonstrado "no acesso à água limpa e ao saneamento", tema do relatório deste ano.Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram estabelecidos pela ONU, em 2000, e são um conjunto de oito metas, a serem atingidas pelos países até o ano de 2015, por meio de ações concretas dos governos e da sociedade. Entre os objetivos, estão acabar com a fome e a miséria, reduzir a mortalidade infantil, educação básica de qualidade para todos etc.O presidente reiterou que vê o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio para a água e o saneamento como parte integral das estratégias para reduzir a desigualdade, combater a pobreza e garantir a melhor distribuição dos benefícios do crescimento.O relatório das Nações Unidas mostra que o Brasil caiu de 68º para 69º colocado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A classificação, feita a partir da análise de dados de 2004, também revela que o País apresentou uma discreta melhora em seu IDH. Do 0,788 conquistado em 2003 ele passou para 0,792.Leia abaixo a íntegra do artigo do presidente:Um dos pilares do desenvolvimento socioeconômicoA adoção dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio representou uma vitória para a cooperação internacional e o triunfo dos valores da solidariedade humana sobre a doutrina da indiferença moral. No entanto, devemos ser julgados pelos resultados que conseguimos, não pelas promessas que fizemos. E, a menos de uma década de 2015, temos de encarar uma verdade incômoda: a comunidade global ainda está longe de atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.Em nenhum outro lugar isso é tão enfaticamente demonstrado quanto no acesso à água limpa e ao saneamento. Nenhum de nós deveria estar disposto a tolerar um mundo onde 1,8 milhão de crianças morrem de diarréia por ano, muitas por falta de água limpa e de um banheiro; um mundo onde crianças são privadas de educação básica e onde milhões de pessoas são vítimas da pobreza e da doença.No Brasil, tentamos combater o problema da água e do saneamento como parte de nosso esforço mais amplo para criar uma sociedade mais justa, menos dividida e mais humana. Estamos progredindo. Os índices de cobertura para água limpa têm subido no País - e novas leis tornarão as empresas que fornecem a água mais transparentes para as pessoas atendidas. No saneamento, o sistema desenvolvido no Brasil está sendo adotado de um modo mais amplo, e os investimentos no setor vêm crescendo significativamente.Apresento estes argumentos não para mostrar o Brasil como um modelo a ser seguido pelos outros, nem com qualquer pretensão de afirmar que nossos problemas estão totalmente resolvidos. Temos plena consciência de que precisamos fazer mais para expandir o acesso tanto à água quanto ao saneamento entre os muito pobres, particularmente nas áreas rurais.Mas o que quero dizer é que, como presidente, vejo o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio para a água e o saneamento como parte integral das estratégias para reduzir a desigualdade, combater a pobreza e garantir a melhor distribuição dos benefícios do crescimento. É por isso que adotamos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio como marcos obrigatórios para todas as políticas governamentais - incluindo aquelas para a água e o saneamento.O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2006 mostra com clareza os custos do déficit global de água e saneamento. Este déficit terá de ser eliminado mais rapidamente se quisermos cumprir nosso compromisso com o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio em 2015. Os governos nacionais precisam fazer mais. E a comunidade internacional também precisa fazer muito mais, por meio de ajuda, transferência de tecnologia, aumento da capacidade e parcerias. Endosso o chamado para que a água e o saneamento estejam no centro da agenda de desenvolvimento global, dentro de um plano global de ação para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Tal medida ajudaria a mobilizar recursos e concentrar mentes no desafio que todos temos de enfrentar.A água limpa, acessível e de baixo custo é um direito humano. É também um dos pilares do desenvolvimento econômico e social. O fortalecimento desses pilares nem sempre é fácil: exige liderança política e custa dinheiro. Mas a falta de investimento de capital político e financeiro hoje terá o alto preço de oportunidades perdidas para o progresso social e o crescimento econômico amanhã.Luiz Inácio Lula da Silva

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