Lula diz que oposição 'inventa dossiês todo dia'

Depois de lembrar o caso dos 'aloprados' em 2006, presidente afirma que Dilma e Temer devem estar preparados para ataques: 'O bicho vai pegar'

Malu Delgado, ENVIADA ESPECIAL / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2010 | 08h52

BRASÍLIA - Na condição de mentor e fiador da candidatura de Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofuscou a ex-ministra na convenção de domingo, 13, com seu discurso, e mencionou o caso da suposta investigação encomendada por petistas contra políticos do PSDB, pregando aos adversários que "não façam o jogo rasteiro, inventando dossiês todo dia".

 

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Andando de um lado a outro do palco com a desenvoltura e o improviso peculiares, Lula previu a vitória do PT no primeiro turno e fez um contraponto político ao discurso técnico e pouco carismático de Dilma, assumindo a missão de responder ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

 

Lula lembrou a crise de 2006 que colocou em risco sua reeleição - quando dirigentes do PT de São Paulo negociaram a compra de documentos que teriam informações contra os adversários tucanos - e disse que Dilma e seu vice, Michel Temer (PMDB), devem estar preparados para os ataques: "O bicho vai pegar."

 

Ao ser oficializado em convenção no sábado, Serra havia feito duros ataques ao PT e a Lula. Acusou o governo de criar a "arena dos mensalões" no Congresso, de patrulhar a mídia e aparelhar o Estado, definindo os rivais como "neocorruptos".

 

Na resposta, Lula afirmou: "Esperamos que nossos adversários estejam dispostos a fazer uma campanha de nível elevado, para discutir programas, e que não façam jogo rasteiro, inventando dossiês todo dia". Para ele, o PT está "calejado e maduro" contra tais ações políticas.

 

Dizendo-se convencido de que "as possibilidades de ganhar as eleições são totais, quase absolutas", Lula pediu ao PT que trabalhe nos próximos quatro meses "sem salto alto achando que já ganhou". "Não existe eleição fácil", afirmou. "Não existe."

 

Imprensa. Sob a alegação de que seu governo é defensor da "imprensa mais livre do mundo", Lula fez cobranças e críticas à mídia. Sem mencionar o canal de televisão, disse que não houve tratamento equânime na exposição de Dilma e Serra na TV. A convenção do PSDB foi no sábado, um dia antes da do PT, mas Lula insistiu na cobrança. "É importante a gente começar a ficar esperto, a olhar, e começar a ver qual é o tratamento que vai ser dado", disse. "Quando se trata de campanha, é preciso que a imprensa seja neutra ou, no mínimo, diga que tem candidato, para a gente saber quem é quem."

 

Lula apresentou-se como vítima da mídia na crise do mensalão em 2005 e afirmou que nunca se esquecerá do dia em que surgiu o adesivo "Mexeu com o Lula, mexeu comigo". Tratou por vias transversas da ameaça feita pelo PSDB de pedir seu impeachment, na ocasião, citando o apoio que teve então do PMDB, nas figuras de José Sarney e Renan Calheiros. "Graças a Deus a democracia prevaleceu. Muitos companheiros foram atacados e estão se defendendo", disse, referindo-se aos petistas do mensalão, que são réus em processo no Supremo Tribunal Federal.

 

Hipocrisia. Lula destilou críticas à "hipocrisia da política" ao relembrar sua participação em conferência de gays, lésbicas e simpatizantes. Disse que os políticos têm preconceitos contra minorias, mas "não têm coragem de recusar o voto deles na época das eleições".

 

Em outra réplica ao discurso de Serra, que fez críticas à "patota corporativa" do atual governo, o presidente declarou estar seguro de que Dilma governará com sabedoria "sobretudo porque sabe montar equipe". E completou: "O milagre da governança é você saber montar a tua equipe."

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