Lula diz que oposição é 'pior do que doença que não tem cura'

Em discurso para estudantes, presidente afirma que, apesar das críticas, é preciso continuar governando o país

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2009 | 19h15

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quinta-feira, 20, em Ipanguaçu, a 215 quilômetros de Natal (RN), o comportamento dos políticos de oposição ao governo. "A oposição é pior do que doença que não tem cura", disse em discurso para estudantes, na inauguração de uma escola técnica federal no município.

 

Lula citou um ditado popular para definir a posição dos oposicionistas em relação à sua administração. "Enquanto os cães ladram, a caravana passa. E eu tenho de governar esse País", disse o presidente. Ele contou ter sido criticado pela oposição, por exemplo, ao inaugurar uma universidade em Mossoró (RN). "A oposição dizia que eu estava inaugurando um muro", disse. "Agora eles têm de ir ver o que o muro está produzindo."

 

O presidente aproveitou a plateia jovem para pedir que não desanimem da política brasileira. E estimulou os estudantes a se candidatarem a cargos eletivos. "Quando estiver desanimado da política, aquele dia em que estiver lendo jornal e falar 'não quero mais saber dessa porcaria', pense: por que você não entra na política?", aconselhou Lula. "Quanto mais as pessoas sérias se afastarem da política, mais picaretas vão entrar nela."

 

Lula defendeu a aprovação da proposta de reforma política que tramita no Congresso Nacional. "Sem reforma a gente não melhora a política brasileira." Ele criticou os Estados governados pelas mesmas famílias por "décadas, décadas e décadas" e citou como exemplo Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba.

 

Não citou o Maranhão, dominado há anos pelo clã do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). "Em cidades do Nordeste, há até famílias que brigam entre si, o 'Silva 1' contra o 'Silva 2'. Participam de partidos diferentes, se ofendem, mas a família continua mandando."

 

Prejulgamento

 

Ao pregar que não se deve fazer prejulgamentos e se condenar antecipadamente uma pessoa com uma manchete, pediu responsabilidade. Não excluiu os políticos: "Nós políticos também, no microfone, em campanha, a gente achincalha, acusa, sem nenhuma prova, pelo que ouviu falar", observou. "Isso rebaixa o nível da política, enoja, e muita gente então se afasta da política".

 

Lula atentou que não adianta eleger um político e depois ficar xingando. "É preciso participar, se vocês entrarem na política ajudarão a mudar", disse aos estudantes. Lembrou ainda, que todos eles podem um dia chegar à presidência da República.

 

Perfil da candidata

 

Indagado pelos radialistas sobre o perfil do seu candidato à presidência, não citou o nome da ministra Dilma Rousseff, mas não deixou dúvidas. Quer uma mulher e o continuísmo do seu governo. "Gostaria que fosse eleito presidente do Brasil alguém que tivesse o conhecimento do que hoje nós temos nesse País e tivesse o compromisso de executar as coisas que já estão programadas para esse País". Segundo ele, "não tem nada pior do que entrar alguém, parar as coisas, e começar do zero".

 

"O perfil é este: uma pessoa honesta e de caráter e, no meu caso, que valorizo a participação das mulheres na política, meu candidato será uma mulher", concluiu.

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