Sebastião Moreira/EFE
Sebastião Moreira/EFE

Lula classifica como ‘canalhice’ operação da Lava Jato que teve filho como alvo

De acordo com o ex-presidente, as supostas arbitrariedades prejudicam a credibilidade da Polícia Federal e MP

Ricardo Galhardo e Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 22h02

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “uma canalhice” a ação da Lava Jato que teve como alvo seu filho, a Operação Mapa da Mina, desencadeada nesta terça feira, 10.  Segundo o ex-presidente, a força tarefa de Curitiba resgatou um inquérito arquivado em 2010 com o objetivo de atingi-lo por meio de seu Filho, Fábio Luiz, cuja empresa Gamecorp é objeto da investigação.

“Hoje fizeram mais uma canalhice comigo. Hoje a Lava Jato, como eles estão caindo no descrédito da opinião pública, fizeram uma denúncia de um inquérito que tinha sido arquivado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em 2010”, disse o ex-presidente. 

A Operação Mapa da Mina tenta ligar a Gamecorp à compra do sítio de Atibaia, que rendeu a condenação mais dura de Lula até agora, mais de 17 anos de prisão. Segundo a Lava Jato, as empresas de Fábio Luiz eram abastecidas com dinheiro da Oi/Telemar. Parte deste dinheiro teria sido usada na compra do sítio de Atibaia.

O imóvel está em nome de Kalil Bittar e No as Suassuna, sócios do filho do ex-presidente.

Lula falou rapidamente em um ato de lançamento da segunda edição do livro A Verdade Vencerá, na quadra do Sindicato dos Bancários, em São Paulo. De acordo com ele, as supostas arbitrariedades a Lava Jato prejudicam a credibilidade de instituições como Polícia Federal e Ministério Público Federal. 

“Estão jogando no descrédito instituições poderosas no Brasil”, afirmou o petista. Com a voz rouca, o ex-presidente foi orientado a falar pouco e se poupar pra entrevistas que fará amanhã. “Preciso estar com a voz boa porque senão não serei capaz de convencer ninguém”, explicou.

Mesmo assim, Lula aproveitou o microfone para fazer ataques ao governo Jair Bolsonaro. “Esta gente que está aí, que eu considero gente do mal, não está lá para construir mas para destruir”, afirmou.

No final, Lula decepcionou os apoiadores que enfrentaram a chuva, o trânsito caótico de São Paulo, ocuparam pouco mais da metade das cadeiras colocadas na quadra e foram para casa sem um autógrafo do ex-presidente.

Lula disse que vai aproveitar o final do ano para descansar mas deu um recado aos seus adversários.“Eles têm que saber que a partir de janeiro o Lula estará nas ruas outra vez”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.