Lula diz que não tem que ficar dando atenção às críticas da oposição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista após vistoriar obras da BR-101 na Paraíba, que o governo não tem que ficar dando atenção às críticas da oposição. Perguntado se os adversários estariam engessando o governo com um golpe branco, ele respondeu: "Eu não falo em golpe branco, porque isso não é novo. Na história política brasileira, sempre tem aqueles que estão na oposição, tentando dificultar o governo".O presidente disse que um presidente da República, um governador ou um prefeito não podem ficar parados por conta de críticas dos adversários. Disse entender que as obras da BR-101 são importantes para o povo do Nordeste, voltou a defender a transposição das águas do rio São Francisco e garantiu que, no próximo mês, estará novamente no Nordeste para iniciar o início das obras de construção da Ferrovia Transnordestina, que ligará o litoral do Ceará ao litoral de Pernambuco.Repetindo um discurso feito em dezembro, em Macapá, Lula afirmou que o governo, depois de três anos, não vai abrir mão, embora seja um ano eleitoral, de colher os frutos de suas realizações. "Se está na hora de colher, por que vamos deixar os adversários colherem?", questionou. "Vamos lá colher, pois quem vai ganhar é o povo e o desenvolvimento do Brasil", acrescentou.Ainda na entrevista, Lula voltou a afirmar que não tem pressa para anunciar uma eventual candidatura à reeleição, não confirmando se a decisão sairá em fevereiro. "Vou tomar uma decisão quanto entender que devo tomar", afirmou. "Eu não tenho pressa. Eu tenho tempo. Meu compromisso é governar o Brasil até 31 de dezembro de 2006. Até lá, vou governar o Brasil, vou viajar".EleitoreiroAntes da entrevista, usando um chapéu do Exército, o presidente argumentou que as três visitas a obras da BR-101 no Nordeste que está realizando hoje não têm caráter eleitoreiro. Ele disse que o início da duplicação da rodovia na região já estava previsto para março do ano passado mas que, em virtude da interposição de recursos por empresas desclassificadas na Justiça, o trabalho foi paralisado e o governo teve que convocar o Exército para tocar as obras. "Diferentemente de outros lugares que visitei, não queria palanque", disse Lula, ao descaracterizar um caráter eleitoreiro.Entretanto, o clima, na visita ao trecho da rodovia na Paraíba, foi de eleição. Manifestantes pró-Lula, empunhando bandeiras com a estrela do PT, cantaram músicas da campanha dele. Lula está seguindo de helicóptero para o aeroporto de João Pessoa, de onde seguirá para Recife, última escala de sua viagem de hoje ao Nordeste.

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