Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert

Lula diz que não tem medo de ser preso e reage a 'ódio' de manifestantes

Em caravana pelo Rio Grande do Sul, ex-presidente disse estar tranquilo; TRF-4 marcou o julgamento do recurso para a segunda-feira, 26

O Estado de S. Paulo

21 Março 2018 | 14h16

SÃO PAULO — Em passagem pelo Rio Grande do Sul, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 21, que não está com medo de ser preso. O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) marcou o julgamento do embargo de declaração do petista para segunda-feira, 26, às 13h30. Se mantida sua condenação, Lula pode ir para a cadeia.

"Não tenho [medo de ser preso]", disse Lula, em entrevista à rádio Imembuí, de Santa Maria (RS), durante a manhã. "Acho que as pessoas que me condenaram estão mais intranquilas do que eu, eu tenho a tranquilidade de um inocente e eles não têm essa tranquilidade e sabem que fizeram uma barbárie jurídica", afirmou. O petista voltou a dizer que, se for preso, será o "primeiro preso político do século XXI no Brasil".

Mais tarde, em passagem por São Vicente (RS), Lula reagiu aos protestos que enfrenta no Rio Grande do Sul e negou que sua caravana tenha caráter eleitoral. "Eu fico me perguntando por que esse ódio? Vocês acham que nós vamos fazer uma caravana eleitoral?", declarou Lula, ao discursar em dos campus do Instituto Federal. "Se eu quisesse fazer uma caravana eleitoral, eu não estaria em um cidade de 8 mil habitantes."

Na terça, 20, em Santa Maria (RS), integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e apoiadores do ex-presidente trocaram provocações durante a passagem de Lula pela cidade. No dia anterior, também houve protestos contra a presença do petista em Bagé e em Santana do Livramento, cidades onde o ex-presidente começou a caravana. Nesta quarta-feira, as redes sociais já registraram imagens de manifestações em São Borja, para onde Lula segue à tarde.

No discurso, o petista declarou que, provavelmente, quem estava usando máquinas agrícolas para bloquear rodovias durante sua passagem havia comprado os veículos através de financiamento durante os governos do PT. "Se vocês conhecerem as pessoas que estão protestando, eu desafio eles, o [juiz Sérgio] Moro, a Polícia Federal e o Ministério Público a mostrar que quem está me perseguindo é mais honesto do que eu", declarou.

Apesar de dizer que a caravana não é eleitoral, Lula adotou um discurso de olho na campanha presidencial e prometeu federalizar o ensino médio se voltar ao poder. "Se preparam porque se a gente voltar, a gente vai fazer mais e melhor", bradou.

Recursos

Tentando reverter condenação em segunda instância e, ao mesmo tempo, evitar que seja decretada prisão se o processo terminar no TRF-4 com uma condenação, Lula declarou na entrevista à rádio esperar que o Supremo Tribunal Federal (STF) ou o Superior Tribunal de Justiça (STJ) "entrem no mérito do processo" durante o julgamento dos recursos.

Ele reforçou que ainda espera ser candidato e que vai "brigar até as últimas consequências" para estar no pleito. "O PT vai me lançar candidato, se eu for candidato eu vou ganhar as eleições e vou ganhar as eleições para melhorar o Brasil", declarou.

Caravana

Lula percorre a Região Sul diante da possibilidade de ser preso após condenação em segunda instância na Lava Jato. Na segunda-feira, 26, dia de julgamento do embargo no TRF-4, o petista pretende estar no Paraná e agendou atos em Francisco Beltrão e Foz do Iguaçu, região oeste do Estado. Na terça-feira, 27, o ex-presidente planeja estar em Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, na região centro-sul. Lula se programa para encerrar a caravana na quarta-feira, 28, em um ato em Curitiba, principal palco da Operação Lava Jato.

Segurança

Diante da preocupação com os protestos que enfrenta, Lula afirmou nesta manhã que toda a agenda da caravana está mantida. "A caravana não vai parar", diz texto publicado por ele no Twitter. A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), reafirmou que a viagem seguirá o roteiro traçado.

Gleisi cobrou reforço da segurança de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff durante a viagem. "Denunciamos milícias armadas que atacam a caravana! É responsabilidade do Estado a segurança dos ex-presidentes Lula e Dilma! Não houve orientação do presidente para conversar com autoridades. Foi decisão do partido e dos parlamentares", escreveu, na mesma rede social.

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