Lula diz que não quis ofender Judiciário e Legislativo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que não teve intenção de fazer qualquer ofensa aos poderes Legislativo e Judiciário, em seu discurso de ontem na CNI. Lula declarou ontem o seguinte: "Podem ficar certos de que não tem chuva, não tem geada, não tem cara feia, não tem Congresso Nacional ou Poder Judiciário. Só Deus será capaz de impedir que a gente faça este País ocupar um lugar de destaque que ele nunca deveria ter deixado de ocupar". Hoje, ao discursar entre os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha, e do Senado, José Sarney, anunciando a convocação extraordinária do Congresso para o mês de julho,o presidente Lula afirmou que jamais passou por sua cabeça fazer ofensa a qualquer poder do País. Dirigindo-se a Sarney e João Paulo, disse ainda que foi pego de surpresa com a manchete dos jornais dizendo que nem o Congresso nem o Judiciário impedirão o governo de fazer as reformas. Lula fez questão de ler o discurso de ontem e afirmou que estava se dirigindo a uma freira que havia lhe feito uma pergunta. (Leia a íntegra do discurso de Lula na CNI.)Lula garantiu que em nenhum momentou falou de reformas, na declaração de ontem, e enfatizou que sempre deu uma demonstração inequívoca da relação que quer dar entre o governo e o Congresso, lembrando que chegou a ir pessoalmente ao Congresso entregar as reformas. "Se não acreditasse nas instituições eu não seria presidente", afirmou Lula, acrescentando que as reformas não são de interesse apenas do presidente, mas necessárias para o crescimento da economia e do emprego. O presidente citou o caso ocorrido no Rio, em que mais de 15 mil pessoas disputaram emprego de gari. Segundo Lula, a busca do emprego só será viável se os poderes estiverem convencidos de que isto não é conquista de um homem e nem de um partido político, e sim da sociedade, representada pelo Congresso.Lula insinuou ainda que a imprensa pode ter intrepretado erroneamente suas declarações de ontem. "Conheço muito bem como funciona o noticiário", disse. Dirigindo-se aos parlamentares do PDT, PSDB e PFL, cujos líderes se recusaram a participar hoje da cerimônia de convocação extraordinária do Congresso como reação às declarações do presidente, Lula disse que estará a disposição para conversar com estes parlamentares "quantas vezes for necessário, porque não tem nada piopr em política do que equívocos ou do que as pessoas serem intepretadas pelas manchetes". "Se alguém se sentiu ofendido, estou disposto a conversar", afirmou o presidente.

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