André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Lula diz que Maia 'deve estar se preparando para ser o próximo presidente'

Ex-presidente volta a defender eleições diretas em reunião do Diretório Nacional do PT, em Brasília

Rafael Moraes Moura; colaborou, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2017 | 23h02

BRASÍLIA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse na noite desta quarta-feira, 5, que ninguém quer mais o afastamento do presidente Michel Temer (PMDB) do que os trabalhadores brasileiros. Lula, no entanto, ressaltou que uma eventual substituição do peemedebista pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não é necessariamente uma boa notícia para a militância petista.

“Rodrigo Maia deve estar se preparando pra ser o próximo presidente da República como seguidor do golpe, e não podemos achar que um golpista é melhor do que outro. Golpista é golpista”, disse Lula, durante reunião do Diretório Nacional do PT, em Brasília.

“A mudança que queremos é que o povo brasileiro volte a ter o direito de escolher o seu presidente. Errando ou acertando, é o povo que tem o direito de tirar e colocar pessoas”, afirmou Lula, numa cerimônia marcada por gritos de “fora, Temer”, “Liberdade pra Vaccari (o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto)” e “Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro”.

Segundo Lula, “ninguém quer mais o afastamento do Temer do que os trabalhadores brasileiros”. “Ninguém quer mais o afastamento do Temer do que nós que estamos aqui nesse plenário. Nós temos clareza que queremos a saída do Temer e eleições diretas porque queremos fazer com que os trabalhadores continuem com seus direitos e conquistando coisas”, discursou.

Ao comentar as investigações em curso no País, o petista disse não admitir que “alguém diga que o PT é contra o combate à corrupção”. “Somos contra que se faça pirotecnia, com meia dúzia de pessoas se achando donas da verdade”, ressaltou o ex-presidente, sem referências diretas a nomes. Ele é réu cinco ações penais, sendo duas delas no âmbito da Lava Jato.

O petista também acusou a gestão Temer de desmontar o que considera conquistas dos 13 anos em que o PT esteve no comando do Palácio do Planalto. “Pensávamos o Brasil para 2022, mas não conseguimos construir o nosso projeto. Agora, eles estão desmontando o nosso País e tudo parece que começou quando nós começamos o pré-sal”, comentou Lula, ao defender o modelo de partilha na exploração dos campos.

Fraude. Nova presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez em seu discurso uma defesa enfática da candidatura de Lula ao Planalto em 2018. “Não pensem eles que a sentença de um juiz de primeiro grau vai inviabilizar o processo democrático deixando Lula fora das eleições. Uma eleição presidencial sem Lula não é eleição, é fraude à democracia. E Lula não é mais candidato a presidente do PT, é candidato de uma parcela expressiva do povo brasileiro, é candidato daqueles que querem que o Brasil seja reconstruído e a gente continue nossa política de mudanças”, disse Gleisi.

Em setembro do ano passado, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou por unanimidade a denúncia contra Gleisi e o marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, que se tornaram réus na Lava Jato.

Gleisi e Bernardo são investigados por suposto recebimento de R$ 1 milhão de propina de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás. As defesas de Gleisi e Paulo Bernardo alegaram que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se baseou exclusivamente nas delações premiadas de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef para apresentar a denúncia.

Dilma. Ao falar do processo que levou ao seu impeachment, a ex-presidente Dilma Rousseff disse durante o evento que a “história está sendo severa e implacável com os líderes do golpe” e todos seus apoiadores, citando os nomes de Temer, do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Quantas vezes nos enterraram? Quantas vezes nos deram o atestado de que tínhamos morrido? Na última eleição de 2016, nos deram esse atestado e hoje por qualquer aspecto que se olhe, o PT é, sem dúvida nenhuma, o partido que vai cada vez mais conseguindo resgatar o espaço que sempre teve”, disse a ex-presidente, que foi recebida no palco com gritos de “Volta, Dilma”.

O evento petista prestou homenagem ao crítico literário e sociólogo Antonio Cândido, um dos fundadores do PT, que morreu aos 98 anos em maio. / COLABOROU FERNANDO NAKAGAWA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.