Lula diz que 'irá para casa' após deixar Presidência e nega volta

Em entrevista ao 'Jornal do Brasil', presidente diz não ter candidato à sucessão, mas faz muitos elogios a Dilma

da Redação,

15 de junho de 2008 | 14h27

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou em entrevista ao Jornal do Brasil neste domingo, 15, voltar à Presidência da República ou disputar qualquer outro cargo depois que deixar o Planalto em 1º de janeiro de 2011. "Não trabalho com a hipótese de volta", afirmou.  Em outro momento, o presidente voltou a negar participação na disputa ao Planalto: "Eu entregarei a Presidência para alguém e vou para a minha casa conviver com a minha família. Não tenho interesse de ser candidato a senador, a governador, a vereador. Nada". Sem citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula diz que "não dará palpites" após deixar o cargo. "Na minha filosofia, rei morto, rei posto."   Dilma Rousseff   Lula diz que ainda não escolheu o candidato para sucedê-lo, mas não poupa elogios à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, cujo nome já aparece como favorito na sucessão. "Se você perguntar: 'A Dilma tem competência?' Eu digo, tem, sim. Acho que tem pouca gente no Brasil hoje com a capacidade gerencial que a ministra Dilma tem. Agora, entre ter competência gerencial e uma candidatura à Presidência, há uma distância da largura do Oceano Atlântico", disse ao JB.   Alianças municipais   O presidente afirmou que participará muito pouco das eleições municipais deste ano para evitar conflitos com muitos deputados que concorrem em suas cidades: "Os que perderem voltarão para cá azedos. E aí eu tenho que conviver com eles mais dois anos. Então eu preciso saber que caldo de galinha e cautela não fazem mal a ninguém". No entanto, Lula criticou a posição da cúpula do PT sobre a aliança com o PSDB em Belo Horizonte. Segundo ele, a direção nacional partiu para "uma briga" que não é dela, uma vez que o diretório municipal tinha aprovado a união com os tucanos.   "Ora, o candidato é do PSB, o vice é do PT, não vai ter coligação na chapa de vereadores, onde é que está o Aécio Neves a essa altura, senão apenas apoiando? Qual é o estigma, se nós temos em outros lugares aliança com o PFL e com o PSDB? Na política também quando você cria estigmas contra as pessoas, você começa a perder. Eu ainda acredito que o PT vai voltar atrás no caso de Belo Horizonte", afirmou ao jornal.   CSS   Lula voltou a dizer que não vai se intrometer na aprovação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), a nova CPMF, e que essa é uma decisão do Congresso. "Os senadores votarão com sua consciência. Graças a Deus as instituições no Brasil funcionam exageradamente bem", disse. A CSS foi aprovada na última semana na Câmara - onde o governo tem maioria - com um placar apertado. A expectativa é que no Senado a criação do imposto sofra mais resistências.   Barack Obama   Na entrevista, o presidente mostrou entusiasmo com a candidatura de Barack Obama nas eleições dos Estados Unidos. "Eu acho que é uma revolução na cabeça do eleitorado americano. Se Obama ganhar será mostra de grande evolução. Essa é a grande novidade desses últimos 100 anos da História. E Deus queira que, ganhando as eleições, ele possa ter uma política dos Estados Unidos diferente para América Latina", afirmou.   Movimentos sociais   Sobre os movimentos sociais, Lula diz que o governo cumpriu muitas das reivindicações dos sem-terra e cobra maior produtividade nos assentamentos. "Chega um momento, quando você assenta 501 mil famílias, que o problema não é mais assentar. Nós tomamos na semana passada a decisão de fazer os assentamentos produzirem mais alimentos. Chegou a hora de dobrar ou triplicar a produtividade das pessoas que estão no campo. Não podemos permitir que fiquem apenas naquela agricultura de subsistência. Precisamos dar condições para produzirem e ganharem dinheiro. As pessoas têm que saber que ganhar dinheiro é bom", disse ao jornal.

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