Lula diz que imprensa é 'pequena' e abusa de sua inteligência

Exaltado, presidente centra fogo nos jornais que asssociaram encontro de prefeitos a promoção de Dilma

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo, e Leonencio Nossa, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2009 | 17h51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso exaltado, reclamou das críticas dos jornais e disse que a imprensa foi "pequena" ao afirmar que ele convocou o "Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas" para anunciar medidas de apoio às prefeituras e, assim, promover a candidatura presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.  Veja também: Galeria: veja fotos do Encontro Nacional com Novos Prefeitos e PrefeitasMedidas de Lula para repactuar dívidas de prefeituras Enquete: Governo acerta ao repactuar dívidas de prefeituras? De improviso, falando para 3,5 mil prefeitos, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, Lula disse que ficou "frustrado e triste" ao ler os jornais, de manhã. Recentemente, o presidente declarou, em entrevista à revista "Piauí", que não lê os jornais. "Fiquei triste como leitor, porque abusaram de minha inteligência e pensam que o povo é marionete e pensa como boi, como manada", afirmou. "Mas acabou o tempo em que alguém achava que poderia influenciar uma eleição por ser formador de opinião", acrescentou. O presidente reclamou ainda da interpretação de alguns veículos da imprensa de que o pacote de medidas anunciadas nesta terça de ajuda aos municípios - como o reparcelamento das dívidas das prefeituras com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - foi um "ato de bondade". Um dos jornais, disse Lula - sem identificá-lo - "foi mais longe" ao questionar "Como o presidente vai dar dinheiro para bandido?" Lula lamentou: "Como é fácil julgar as pessoas e condenar sem dar sequer uma oportunidade para vocês provarem que não são ladrões como eles escrevem!" Sempre em tom exaltado, o presidente disse que não poderia se calar. "Outros (jornais) foram além e disseram que (o pacote de medidas) é um ato para promover a ministra Dilma Rousseff. São pessoas pequenas." Pouco antes, Lula tivera o constrangimento de ver o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CMN), Paulo Ziulkoski, ser aplaudido de pé pelos 3,5 mil prefeitos presentes ao reclamar do governo federal afirmando que o plano de repactuação das dívidas das prefeituras com o INSS é insuficiente. O governo anunciou que essas dívidas, antes pagas em 60 meses, passarão a ser quitadas em 240 meses. No discurso, Lula centrou seus ataques na imprensa. "Não é porque a imprensa me ajudou que fui eleito, mas porque suei para enfrentar o preconceito e o ódio dos de cima para com os de baixo", afirmou. "Eu posso ter a minha postura, mas não perco a minha vergonha e o meu caráter", declarou, qualificando as interpretações de jornais de "insinuações grotescas". Enquanto Lula discursava, assessores do Palácio do Planalto também reclamavam do enfoque da imprensa sobre o encontro dos prefeitos. Comentavam que a reunião havia sido marcada há muito tempo e que, portanto, não era justo associar sua realização com a futura candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República.  Ricos e os impostos O presidente disse ainda que "tem gente que não gosta de pagar imposto". Em seguida, disse ao público que, às vezes, pessoas de classe média não reclamam de um aumento, por exemplo, no IPTU. "Mas, se você aumentar em um centavo o imposto da mansão...".  Lula ressuscitou a discussão do fim da CPMF ao dizer que, na época, esperava que houvesse uma marcha de prefeitos para preservar o imposto. "Sem a CPMF, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da saúde está parado desde o começo de 2007", disse. O presidente também falou aos prefeitos que a política, às vezes, é "ingrata" e lembrou que alguns prefeitos que acabaram de comemorar a eleição já tiveram seus mandatos cassados.

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