Lula diz que, fora do governo, será 'amigo da rainha'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou hoje a fazer referências indiretas à candidata do PT para a sucessão presidencial, Dilma Rousseff, em uma solenidade oficial. Durante discurso na entrega de 224 apartamentos do Conjunto Habitacional Três Marias, em São Bernardo do Campo (SP), Lula disse que voltará a viver na cidade do ABC paulista assim que deixar o cargo e não hesitará em pedir verbas para a cidade para "um amigo ou uma amiga" que estiver no poder.

ANNE WARTH, Agência Estado

10 de setembro de 2010 | 20h04

"Obviamente que, se eu sou amigo de uma pessoa com o cargo mais importante, e eu precisar pedir uma coisinha para São Bernardo, não terei nenhuma vergonha de pedir as coisas", disse o presidente, para então fazer uma menção à sua candidata, mas sem citar o seu nome. "Afinal de contas, dizem que às vezes é melhor ser amigo do rei, ou da rainha, do que ser o próprio rei ou a rainha", afirmou.

Durante seu discurso, Lula afirmou ao prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), que "jamais" irá cobrá-lo sobre qualquer assunto quando deixar o governo. "Se eu puder ajudar, vou ajudar. Atrapalhar, jamais", afirmou. O presidente fez críticas indiretas, sem citar nomes, ao candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ex-prefeito da cidade William Dib (PSDB).

De acordo com Lula, a entrega do projeto habitacional na região poderia ter ocorrido há mais de quatro anos, não fosse a recusa do ex-prefeito em aceitar verba federal. "O Marinho recuperou alguns projetos que já existiam na cidade que o outro governo foi contra por ser de um partido diferente do dele. Ele se dava ao luxo de não fazer nenhuma parceria com o governo federal", disse.

"Precisou-se esperar o Marinho assumir para que isso fosse feito. Vocês não imaginam a ignorância de um prefeito que deixa R$ 71 milhões voltarem para a Caixa porque não quer trabalhar com o Lula, porque ele é de um outro partido político e porque é um puxa-saco do governador de São Paulo", afirmou.

Na avaliação de Lula, são atitudes como essa que têm levado o povo a "amargar sofrimento" nas últimas décadas. "Muita gente que faz política se apequena na hora de fazer as coisas corretas que tem de fazer", comentou. "É o absurdo do absurdo."

FHC

Lula criticou indiretamente Fernando Henrique ao dizer que o governo federal não investia recursos em habitação e saneamento na cidade. O presidente se dirigiu ao ex-prefeito de São Bernardo Maurício Soares, que governou a cidade entre 1997 e 2003, para fazer as críticas.

"O Maurício foi prefeito quando era outro presidente e outro governador e a verdade é que o governo federal não investia dinheiro na cidade", afirmou. "Ele governou por dois mandatos e não recebeu um centavo do governo federal em habitação, saneamento e drenagem."

Lula afirmou que durante o seu governo foram investidos R$ 4 bilhões em drenagem no País. "Isso é tratar o povo com um mínimo de respeito." Em um momento de sua fala, Lula quis exaltar o atual prefeito de São Bernardo, ao dizer que ele construirá um Centro Educacional Unificado (CEU) na região das unidades habitacionais. Ele disse que o CEU dará educação de qualidade para os filhos dos pobres e que eles terão acesso a cinema e teatro.

Por engano, Lula comemorou que o CEU também teria piscina, mas foi corrigido por assessores da prefeitura. "Vai ter piscina também? Não sei se vai ter piscina. Aqui é frio", justificou o presidente. "O CEU de São Paulo tinha (piscina). Mas vai ter cinema para as crianças, teatro, vai ter computador, ou seja, os filhos dos pobres vão ter as mesmas coisas dos filhos dos ricos", afirmou.

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