Lula diz que faltam mais 'atores' no processo de paz no Oriente Médio

Presidente vai enviar ministro Celso Amorim para a Síria, 'país importante para a solução do conflito'.

Tarik Saleh, BBC

18 de março de 2010 | 09h36

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta quinta-feira a posição do Brasil de servir como mediador em futuras negociações de paz entre israelenses e palestino no encerramento de sua viagem pelo Oriente Médio.

O presidente salientou que o Brasil tem a capacidade de ser um ator principal dentro do processo de paz na região.

"Faltam mais atores nas negociações de paz. O Brasil é, hoje, um país de importância no cenário internacional. Os árabes e israelenses querem a gente no grupo de países que têm condições de intermediar o conflito", disse.

Falando em Amã, na Jordânia, Lula defendeu uma maior reforma nas Nações Unidas, dizendo que o organismo deveria ser o principal mediador pela paz no Oriente Médio.

"A ONU é o único organismo multilateral que tem a capacidade de intermediar conflitos. No entanto, eu acredito que o organismo pode fazer mais do que vem fazendo", declarou Lula.

Ele também disse que o processo de paz sofre porque há muitas pessoas envolvidas que estão distantes e não se falam por razões e rivalidades históricas.

"Sinto que há pessoas que são parte da solução mas que atualmente estão distantes porque falta uma aproximação e interlocutores que possam colocá-los na mesma mesa".

Síria

Lula disse que pediu ao ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que viajasse ainda nesta quinta-feira à Síria para levar uma mensagem ao país.

"Nós entendemos que a Síria é um país muito importante dentro do contexto do Oriente Médio e na solução do conflito na região".

O presidente não quis revelar qual mensagem o ministro Amorim levaria à Síria, mas que seria para mostrar a vontade do Brasil em contar com os sírios na busca pela paz na região.

"Os Estados Unidos entenderam isso, que o sírios têm importância, e voltaram a nomear um embaixador no país".

Irã

O presidente ainda disse que Brasil manterá sua posição de diálogo com o Irã, apesar da controvérsia em torno desta relação.

"Da mesma forma que conversamos com israelenses e palestinos, conversaremos com os iranianos. A soberania da política externa brasileira é inquestionável", disse.

Para ele, os mesmos erros cometidos com o Iraque não devem ser repetidos com o Irã.

"Os inspetores da agência de energia atômica são as pessoas certas para mostrar as intenções iranianas. O diálogo é a melhor solução".

Lula disse que a falta de diálogo levará o Irã a desafiar ainda mais a comunidade internacional.

"Tem que haver os inspetores e eles serão capazes de dar a certeza para o resto do mundo sobre as atividades iranianas".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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