Lula diz que EUA e China 'fazem guerra cambial' e promete 'brigar' no G20

Governo acredita que países desvalorizam suas moedas para favorecer exportações.

Fabrícia Peixoto, BBC

03 de novembro de 2010 | 14h09

Dilma não descarta adotar medidas para evitar alta do real.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que Estados Unidos e China "fazem guerra cambial" e que o Brasil vai à reunião do G20, na semana que vem na Coreia do Sul , "para brigar".

"Se (os países) já tinham um problema para enfrentar, agora vão ter que enfrentar o Lula e a Dilma", disse o presidente durante coletiva ao lado de sua sucessora, que o acompanhará na viagem.

O governo brasileiro culpa outros países, sobretudo Estados Unidos e a China, pela valorização do real frente ao dólar, o que prejudica as exportações brasileiras.

Na avaliação da equipe econômica, os dois países vêm adotando políticas que desvalorizam suas moedas, resultando em uma série de medidas de controle de capitais em outros países - daí a expressão "guerra cambial".

A presidente eleita vem reafirmando seu compromisso com a política de câmbio flutuante, mas não descarta adotar "novas medidas" para evitar a valorização do real.

Em entrevistas a emissoras de TV nos últimos dias, Dilma Rousseff disse esperar que o problema seja resolvido "de forma coordenada" entre os países que integram o G20.

Dólar

Na tentativa de se recuperar mais rápido da crise econômica, os Estados Unidos têm adotado uma política monetária expansionista, ou seja, colocando uma quantidade maior de dólares em circulação.

Um efeito colateral dessa política tem sido a entrada de mais dólares em países como o Brasil, que oferecem taxas de juros atraentes. O resultado é a valorização do real.

A China também é apontada por muitos economistas como uma das responsáveis pela chamada guerra cambial. Com câmbio fixo, Pequim consegue manter sua moeda sempre atrelada ao dólar e desvalorizada em relação a outras moedas.

Para evitar a entrada excessiva de dólares no Brasil, o Ministério da Fazenda elevou de 2% para 6% o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que incide sobre o capital estrangeiro que entra no país em busca de investimentos de curto prazo, mas a medida é considerada "paliativa" por analistas de mercado.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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