Lula diz que Estado tem coração grande e condena economês

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no final da tarde que só o Estado tem "coração grande" para prestar serviços à população que mora longe dos grandes centros. Na primeira solenidade pública no Palácio do Planalto após a segunda posse, ele condenou o "economês" - termo usado para definir o vocabulário difícil da área econômica - e defendeu programas sem retorno financeiro imediato. "O Estado não está pensando em renda, está pensando em cidadania", afirmou. "Isso nós vamos cumprir, custe o que custar." A declaração do presidente foi feita durante homenagem a líderes de comunidades atendidas pelo Programa Luz para todos, que atingiu a marca de 5 milhões de beneficiados. Ele ressaltou que a meta do programa Luz para Todos é atingir oito milhões de pessoas até 2008.O presidente disse que o setor privado não se interessa por licitações públicas de prestar serviços em regiões afastadas dos grandes centros. "Nenhuma empresa tem coração grande de levar poste, cabo e transformador se (o programa) economicamente não tiver retorno", disse. "Isso é obrigação do Estado", completou. Lula disse que as empresas privadas interessam mais em participar de licitações de serviços em grandes centros a áreas afastadas, como o semi-árido nordestino.Durante a solenidade, Lula disse que o governo vai lançar um "pacote de cidadania", com ações nas áreas de saúde, educação e informática. O pacote irá beneficiar, segundo ele, pessoas que moram em áreas de assentamentos e remanescentes de quilombos. "Esse País tem de saber que certas coisas do ponto de vista do economês não tem viabilidade, mas do ponto de vista social, da solidariedade e do compromisso do governo, temos que gastar", disse.Ao final da solenidade, o presidente foi questionado sobre a declaração em que usou o termo "economês". "Eu não utilizei a palavra economês, porque não costumo utilizar. O que eu disse é o seguinte: determinados programas sociais se forem pensados somente do ponto de vista da viabilidade econômica não acontecem", disse.

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