EFE/ Justiça Federal do Brasil
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Lula diz que é “vítima de uma caçada jurídica” com o apoio da imprensa

Ex-presidente criticou possíveis vazamentos à imprensa, com menção ao Estado, e a ausência de provas da Justiça

Ludimila Honorato e Sara Abdo, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2017 | 23h15

Nas considerações finais ao juiz federal Sérgio Moro,  o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva disse que está “sendo vítima da maior caçada jurídica que um presidente já teve”. Ele voltou a atacar a imprensa que, segundo ele, “criminaliza” e “demoniza o Lula”.

O ex-presidente disse que a Operação Lava Jato instalou uma política em que não se pode condenar um político sem que antes se tenha o apoio da imprensa. "É a política de a imprensa que criminaliza", definiu. 

Ele apresentou a quantidade de reportagens e capas publicadas nos principais meios de comunicação do País. Segundo Lula, o jornal Folha de S. Paulo fez 298 matérias negativas e 40 favoráveis sobre ele. O Globo teria feito 530 contrárias e 8 favoráveis, e o Estado, 319 contra e 2 a favor.

“Meus acusadores nunca tiveram respeito. Eu tenho 71 anos, tenho cinco filhos e oito netos. Ninguém que me acusou nunca respeitou meus netos que estão na escola e sofrem bullying todo dia”, afirmou.

Lula criticou os possíveis vazamentos de informações do Ministério Público aos veículos de comunicação, o que, segundo ele, têm sustentado o noticiário. “Eles sabem das operações da Polícia Federal antes dos meus advogados”, disse. “Eu poderia citar o Fausto (Macedo, repórter) do Estado, a Veja e qualquer blogueiro internacional. A imprensa criminaliza, mas não se autoassume”, completou.

Moro afirmou que as ações são públicas e, portanto, não há vazamentos. Por duas vezes, o juiz esclareceu que não é a imprensa que faz acusações no processo e que ele é quem vai julgar.  Lula avaliou que o objetivo da imprensa é massacrá-lo e que agora ele deve pagar o erro de acreditar que o Brasil poderia dar certo. 

“Injustiça”. O ex-presidente disse que, durante seus governos, promoveu o melhor funcionamento das instituições de justiça, como o Ministério Público e a Justiça Federal. “Fui presidente por 8 anos e criei leis como nenhum outro presidente. Tenho orgulho e não me sinto vítima delas.”

Ele ainda lançou fortes críticas ao MP, que não apresentou provas de seu direito jurídico sobre o apartamento triplex no Guarujá - que seria uma “benesse” da empreiteira OAS.

“Eu esperava que o Ministério Público, numa audiência como essa, trouxesse aqui direito jurídico de propriedade, com escritura e registros de que o Lula comprou e ele tem a chave.” Moro rebateu dizendo que “a acusação inicial é de lavagem de dinheiro e isso inclui ocultação.”

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