Lula diz que é de esquerda, mas seu governo não

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que seu governo não é de esquerda, embora ele, pela forma como governa, pelas coisas que defende, se considere como tal. Porém Lula disse que, antes de tudo, se considera um torneiro mecânico, que é sua profissão. "Se você perguntar para mim se eu sou de esquerda ou de direita, eu vou dizer que sou torneiro mecânico de profissão, católico por opção religiosa, e corintiano por opção futebolística", declarou Lula, durante o café da manhã com jornalistas credenciados no Palácio do Planalto, na sexta-feira."Eu acho que ser de esquerda é defender as coisas que eu defendo, eu sou de esquerda, mas o governo não é um governo de esquerda, é um governo que governa em função da correlação das forças políticas e pela sociedade, que tem inclinação pelo atendimento das demandas sociais, que é para isso que o povo me elegeu", explicou.A declaração do presidente acontece dez dias depois que o presidente afirmou que "quem tem 60 anos e se diz de esquerda tem problemas, e quem é jovem e se diz de direita também tem". No dia 12 de dezembro, Lula argumentou que com o passar do tempo as pessoas deixam de adotar posicionamentos radicais em relação à política. "Quando a gente tem 60 anos, é a idade do ponto de equilíbrio, porque a gente não é nem um nem outro", disse. "A gente se transforma no caminho do meio, aquele caminho que precisa ser seguido pela sociedade."ImprensaSobre sua relação com a imprensa, Lula afirmou que em 2007 espera ter um melhor relacionamento tanto no âmbito pessoal como de governo com os repórteres. "Eu, de vez em quando, digo que sou bem tratado e eu preciso apenas retribuir o tratamento que recebo. Que 2007 seja o ano da imprensa, e que vocês escrevam tudo que precisam escrever", disse.Animado, Lula continuou: "Vamos ver se a gente consegue renovar este café não uma vez por ano, mas fazer mais vezes este café. Espero me educar para ter um outro relacionamento com a imprensa. Na eleição, havia entrevistas que pareciam mais uma inquisição do que entrevista, mas eu acho que foi bom, eu acho que faz parte da cultura política do Brasil, faz parte do aprendizado de todos nós, então quero dizer que estou muito satisfeito, muito alegre", finalizou o presidente.

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