Lula diz que cuidar da família é tão importante quanto da economia

Em discurso carregado de muita emoção, Lula quase chorou ao narrar a história de um filho que queria pagar pela hora de trabalho do pai apenas para ter atenção

Evandro Fadel, de O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 18h12

FOZ DO IGUAÇU - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, 2, em Foz do Iguaçu, durante abertura do Seminário Latino-Americano de Acolhimento Familiar, que "cuidar da família é tão importante quanto cuidar da economia". "Houve um tempo em que se dizia que era preciso criar um novo modelo de economia, uma nova política econômica, e que estaria tudo resolvido, mas aprendi que um dos principais problemas que nós construímos no Brasil, sobretudo naquelas décadas que considerávamos perdidas, foi a desestruturação da família", afirmou.

 

Para ele, a desestruturação familiar não é totalmente explicada pela pobreza. Ele acentuou que falta principalmente o diálogo entre pais e filhos. Em discurso regado a emoção, Lula quase foi às lágrimas ao contar uma história de um filho que queria pagar pela hora de trabalho do pai apenas para ter atenção. "Por mais pobre que seja, uma casa tem que ser o amparo para quem vive em situação difícil", acentuou. "A estrutura da família é sagrada."

 

Segundo ele, durante muitos anos o Estado cometeu um erro, achando que é possível recuperar crianças sem recuperar as famílias. "Muitas vezes é preciso descobrir se não são os pais que são problemas para os filhos", disse. "O Estado precisa ser um indutor para criar condições de as crianças serem ajudadas dentro de casa." Lula criticou também a programação televisiva, dizendo que nem em sua mão de apenas quatro dedos conseguiria contar os programas educativos. Segundo ele, o sexo é apresentado desde o início da manhã. "E nós (pais) achamos que não é conosco", afirmou.

 

Logo depois, em aula inaugural na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila ), Lula destacou que a América Latina, depois de 200 anos, está "aprendendo a andar por suas próprias pernas, falar por suas próprias bocas e pensar pela nossa cabeça". "E quando isso acontece estamos conquistando nossa independência", acentuou. Ele ressaltou que, em 1982, quando perdeu a eleição para o governo de São Paulo, achou-se a pessoa mais derrotada do mundo e pensou em abandonar a política, mas, em 85, o cubano Fidel Castro o reanimou quando lhe disse que nenhum operário no mundo havia conseguido fazer 1 milhão e 250 mil votos.

 

Antes dessa atividade, ele participou de cerimônia em que foi enterrada uma cápsula com detalhes sobre a construção da Unila, mensagens de crianças e fotos tiradas ontem. A cápsula será aberta no dia 12 de janeiro de 2060, quando a instituição completará 50 anos. Após participar de várias solenidades, o presidente preferiu não conversar diretamente com a imprensa, por meio de entrevista coletiva.

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