Lula diz que cobrará prestação de contas de ministros

Ao criticar novamente os antecessores pela falta de investimentos na educação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que seu sucessor irá se deparar com outro paradigma no País, que "não é o paradigma do nada". Em Divinópolis (MG), onde participou da inauguração de novas instalações do campus universitário Centro-Oeste Dona Lindu - em homenagem à sua mãe - da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), Lula disse que cobrará ao final de seu governo que os ministros apresentem um relatório com os acertos e os erros da gestão nas pastas.

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

10 de agosto de 2010 | 20h31

"No dia 31 de dezembro, cada ministro vai me entregar, registrado em cartório, cada coisa que foi feita, coisa certa e coisa errada, cada coisa. Cada centavo aplicado, cada tijolo, cada metro de asfalto", destacou. "Eu quero isso para quem vier depois de mim. A pessoa vai ter outro paradigma, não é o paradigma do nada", disse, arrancando gritos isolados de "Dilma" entre o público formado em sua maioria por estudantes e professores.

Utilizando como metáfora a história de uma garota de 17 anos - que não conseguia ingressar em uma universidade federal em razão da enorme concorrência; era aprovada no vestibular de numa instituição particular, mas não tinha dinheiro para pagar o curso - Lula acusou os antecessores de considerar o investimento em educação como gasto e deixar milhões de jovens sem perspectivas e emprego no futuro. "Aí voltava a menina para casa, sem possibilidade de emprego e sem possibilidade de estudar. Isso mudou", disse, citando dados do ProUni e da geração de emprego durante sua gestão. Na mesma linha, o presidente comemorou a carência por engenheiros e pedreiros no País, afirmando que isso mostra que "está tendo muita obra".

Mais uma vez, Lula voltou a agradecer o fato de não ter vencido as eleições em 1989 - quando poderia ter feito bobagens pela "impetuosidade" - e disse que tinha muito medo de errar no exercício da Presidência e adiar por "500 anos" a volta de um representante da classe trabalhadora ao poder. Contou que chegou a compartilhar o receio com o presidente americano Barack Obama. "Eu falei: ''Obama, você, embora seja formado em Harvard, você não pode errar porque você é negro e se você errar vai demorar muito para outro negro possa ganhar a presidência."

Em Divinópolis, o presidente também participou, por meio de uma videoconferência, da inauguração do campus do Alto Paraopeba, que congrega as cidades de Ouro Branco e Congonhas. Na cerimônia, foi ainda formalizado um consórcio entre sete universidades federais localizadas nas regiões sul e sudeste de Minas. Lula também participou da entrega de 102 moradias construídas por meio do programa Minha Casa Minha Vida. Durante o evento, foi assinado contrato para a construção de mais 311 unidades habitacionais.

O tucano Vladimir de Faria Azevedo, prefeito de Divinópolis, não poupou elogios ao presidente. Vaiado após ser apresentado pelo locutor oficial, Azevedo disse que recebia Lula com braços abertos e tapete vermelho e lembrou que o último presidente que visitou a cidade de maneira institucional foi Juscelino Kubitschek. "A biografia do senhor está à frente de qualquer coloração política", afirmou. "Sou do PSDB e vou ter o maior prazer de te receber aqui em Divinópolis."

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