Lula diz que brasileiro vai deixar de comer carne um dia por semana devido à crise

Ex-presidente afirma haver turbulências na economia que devem afetar os mais pobres, mas que situação é passageira

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 17h16

MADRI - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao jornal espanhol El País, estar convencido de que os brasileiros que saíram da pobreza durante seus mandatos "não voltarão" à situação anterior apesar das turbulências econômicas.

"Ao invés de comer carne todos os dias, comerão arroz um dia, por assim dizer. Isto é passageiro", disse, antes de insistir que "quando acabarem todas estas turbulências, a presidente deveria estimular uma política de crédito para financiar empresas e milhões de pequenos empresários, incluindo os trabalhadores. Se não, a economia ficará bloqueada".

Ao ser questionado se disputará as eleições de 2018, ele afirmou que gostaria que fosse outra pessoa. "Mas se tiver de me candidatar para evitar que alguém acabe com a inclusão social conseguida esses anos, eu o farei".

Lula também voltou a afirmar que o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), "não tem nenhuma base legal ou jurídica, não tem sentido". "O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, atua por vingança contra o PT, de uma maneira irresponsável, sem levar o País em consideração", disse.

Podemos. Na entrevista, Lula expressou ainda o desejo de que o partido de esquerda radical Podemos tenha êxito nas eleições gerais do dia 20 na Espanha. "Tem muitas semelhanças com o PT quando conquistou sua primeira prefeitura: ambições, vontade, e isso é extraordinário".

"Você pensa que vai fazer tudo. Depois descobre que surgem problemas com as instituições, com a burocracia. Mas gostaria que tivessem êxito", completou, antes de afirmar que o partido liderado por Pablo Iglesias é "uma extraordinária novidade".

Lula afirmou que não desejava fazer uma análise da política espanhola, mas admitiu que as próximas eleições "estão muito interessantes", já que "pela primeira vez não existe a dualidade (entre os socialistas e os conservadores do) PSOE e PP", que se alternam no poder desde 1982.

Lula se reuniu nesta quinta-feira, 10, em Madri, com o rei da Espanha, Felipe VI, em um encontro previsto na agenda da visita à Europa do ex-presidente, que ontem esteve na Alemanha.

Os dois conversaram a portas fechadas no escritório do chefe do Estado, acompanhados pelo embaixador do Brasil na Espanha, Antonio Simões. Lula deve participar nesta sexta-feira de um fórum sobre "Os desafios emergentes", junto com o ex-presidente do governo espanhol Felipe González. / AFP E EFE

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