Lula diz que Brasil não pode pagar pela crise dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silvaafirmou na segunda-feira que o Brasil e outros países que"encontraram o caminho do crescimento" não podem pagar pela"irresponsabilidade" da crise econômica dos Estados Unidos. "Os países da América Latina e outros países da Áfricapassaram praticamente 30 anos sem crescer e agora encontraram ocaminho do crescimento. Não é possível que pessoas que não têmnenhuma casa nos Estados Unidos e não fizeram nenhuma hipotecapaguem a crise da irresponsabilidade de alguns que resolveramganhar dinheiro fácil como se estivessem apostando numcassino", disse Lula a jornalistas antes da posse do ministrode Minas e Energia, Edison Lobão. Lula cobrou dos EUA a administração da crise. "Tenho dito publicamente que os Estados Unidos precisamassumir a responsabilidade de evitar que essa crise se alastree possa criar uma crise mundial." Durante a curta entrevista, Lula disse que estáacompanhando a situação nos EUA, mas que está tranquilo e nãovê ameaça ao Brasil. "Obviamente que temos que estar com os dois olhos muitoabertos para saber o que vai acontecer na economia americana econsequentemente na economia mundial", comentou Lula. "Tive umaconversa com o ministro da Fazenda e vou ter uma nova conversacom o ministro e com o presidente do Banco Central e nós nãotemos nenhuma razão para não estarmos tranquilos." A forte queda nos mercados nesta segunda-feira nãopreocupou o presidente, que a atribuiu a uma reação momentânea. "Por enquanto nós estamos certos de que essa crise talvezseja alguma frustração pelo anúncio do pacote do (George W.)Bush, que não contentou nem os americanos", disse Lula,acrescentando que, "se for necessário, vamos tomar a medida quea situação exigir". Assim como o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e opresidente do Banco Central, Henrique Meirelles, Lula insistiuque o país está preparado para enfrentar turbulências externas. "O Brasil nunca teve a solidez que tem hoje e estamos comuma certa reserva e acho que nós não seremos atingidos." (Texto de Mair Pena Neto; Edição de Alexandre Caverni)

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