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Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ricardo Stuckert/Instituto Lula

‘Se precisar, vou para a disputa’, afirma Lula

Ex-presidente se diz candidato à sucessão de Dilma para evitar vitória da oposição

Leonardo Augusto, Especial para o Estado de São Paulo e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 08h51

Atualizada às 22h01

BELO HORIZONTE - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se declarou nesta sexta-feira, 28, da forma mais direta desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff, como potencial candidato do PT ao Palácio do Planalto em 2018. “Se for necessário, eu vou para a disputa e vou trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições”, afirmou o petista, em entrevista pela manhã à Rádio Itatiaia, uma das principais emissoras de Minas Gerais, Estado no qual o ex-presidente participou de eventos com movimentos sociais.

Ao ser questionado se disputaria as eleições, Lula respondeu: “Não posso dizer que sou nem que não sou candidato. Sinceramente, espero que outras pessoas sejam candidatas. Agora, uma coisa é certa. Se a oposição acha que vai ganhar, que não vai ter disputa, e que o PT está acabado, ela pode ficar certa do seguinte: se for necessário eu vou para a disputa e vou trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições”.

O ex-presidente afirmou que o objetivo é “tentar fazer com essa gente que nunca fez nada pelo País, que nunca se preocupou com a educação e com políticas sociais, que governou para um terço da população, não volte a governar”.

Na quinta-feira, Lula esteve em Montes Claros, no norte de Minas, uma das regiões mais carentes do Estado. Ontem à noite, o ex-presidente participou de ato da Central Única dos Trabalhadores (CUT-MG) e da União Estadual dos Estudantes (UEE) em Belo Horizonte. Houve confusão entre os militantes e um grupo de cerca de 150 manifestantes anti-PT, em frente do ginásio onde foi marcado o ato. A Polícia Militar interveio para evitar um confronto generalizado.

A passagem por Minas faz parte da série de viagens que Lula planeja para tentar recuperar a imagem do PT, desgastada por escândalos de corrupção e pelo mau desempenho da economia na gestão Dilma Rousseff.

Lula afirmou na entrevista não acreditar em impeachment da sucessora. Para o petista, a situação política de Dilma vai melhorar quando os resultados do ajuste fiscal começar a surtir efeito na economia do País – ontem, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro caiu pelo segundo trimestre consecutivo, o que configura a chamada recessão técnica.

O ex-presidente disse que a oposição deve ter paciência e esperar a disputa eleitoral em 2018. “Não pode querer antecipar o mandato. Até porque o povo não aceita. Quem quiser ser candidato que espere 2018, dispute democraticamente. Vivemos um golpe em 1964. Ninguém quer mais golpe nesse País”, afirmou. “Todas as vezes que perdi (uma eleição), voltava para casa. Não ficava xingando as pessoas, falando palavrão. Ia para casa lamber minhas feridas, como diria o (ex-governador do Rio Leonel) Brizola se estivesse vivo, para me preparar para a outra eleição. Foi assim durante 12 anos.”

Sem saber. Na entrevista, Lula disse que nem ele nem Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobrás: “Achar que a presidente Dilma sabia é humanamente impossível. Imaginar que você sabe do que está acontecendo agora na sua casa... eu até gostaria de saber antes”.

“Eu não sabia, a Polícia Federal não sabia, a imprensa não sabia, o Ministério Público não sabia. Ficou sabendo depois do grampeamento do tal de Youssef (o doleiro Alberto Youssef), que tinha passagens pela polícia, falando com outros caras”, prosseguiu. “Seria ótimo se a Polícia Federal soubesse que o Paulo Roberto (Costa, ex-diretor da Petrobrás) era do jeito que é.”

O ex-presidente fez um mea culpa sobre o envolvimento do PT no esquema de corrupção na Petrobrás. “Teve gente do PT que errou? Teve. Eu dizia na Presidência que só tem um jeito nesse País de não passar por uma investigação: é sendo honesto. Pagar impostos, fazer o que a lei manda”, disse Lula. “O PT nasceu para mudar a história do país. Nascemos para permitir que as pessoas que não tinham voz, passassem a ter. O partido, no entanto, cresceu demais e cometeu desvios porque começou a fazer política como outros partidos.”

Alvo. Ao comentar a entrevista de Lula, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou não ter visto novidade nas declarações, mas disse haver desejo dos militantes do partido e receio dos opositores de que ele volte a disputar o Planalto. “Vocês ficam vendo novidade onde não tem. Esse é o problema. Mais uma vez Lula repete o discurso. Hora pode ser, hora pode não ser. É o Lula”, disse Falcão. Segundo ele, o partido só definirá candidatura em 2018.

Para o dirigente petista, há uma ação de adversários para “derreter” a imagem de Lula. Falcão citou o blog do vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM). “O que a oposição quer – aliás, está no blog do Cesar Maia: para destruir o PT, tem que antes derreter o Lula. É justamente o que eles querem. Ele (Maia) fala que tem pesquisas mostrando que as pessoas votam no PT – os negros, as mulheres, os pobres – nem tanto pelas conquistas sociais e pelos benefícios; é pelo o que o Lula representa. Daí que, para desmanchar o PT, tem que antes derreter o Lula. Essa é a tática da oposição.”


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