Lula diz no 'FT' que quer mundo livre de dogmas econômicos

Presidente assina artigo em série especial sobre o futuro do capitalismo.

BBC Brasil, BBC

10 de março de 2009 | 07h51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em artigo exclusivo publicado nesta terça-feira no jornal Financial Timesesperar que a crise econômica atual dê origem a um novo tipo de sociedade, que privilegie o bem-estar do ser humano. O texto faz parte de uma série de debates e artigos promovida pelo diário britânico sobre o futuro do capitalismo. "Hoje ninguém ousa prever qual será o futuro do capitalismo", afirma Lula. "Como líder de uma grande economia descrita como 'emergente', o que posso dizer é que tipo de sociedade espero que apareça depois desta crise (... ) Tenho esperanças de um mundo livre dos dogmas econômicos que invadiram as ideias de muitas pessoas e que foram apresentados como verdades absolutas."Nele, Lula afirma ainda que espera um mundo livre de dogmas econômicos, afirmando que "não dá muita importância a conceitos abstratos"."Não estou preocupado com o nome que será dado à nova ordem econômica e social que virá depois da crise, desde que seu principal foco seja o ser humano", diz Lula no jornal.Lula defendeu a política econômica em vigor no Brasil. "Políticas anti-cíclicas não deveriam ser adotadas apenas em épocas de crise. Aplicadas com antecedência - como foi feito no Brasil - elas são a garantia de uma sociedade mais justa e democrática", escreve o presidente.Lula ainda descreve outras expectativas que tem para o fim da atual crise econômica global."(Espero que surja) uma sociedade que vai valorizar a produção e não a especulação. A função do setor financeiro será de estimular a produtividade - e ele estará sujeito a um controle rigoroso nacional e internacional. O comércio exterior será livre do protecionismo que está mostrando sinais perigosos de estar se intensificando", diz. Lula também menciona suas esperanças de uma reforma nas organizações multilaterais e de um novo sistema de governança global. Em boa parte do artigo, o presidente também relembra sua infância no interior de Pernambuco, o início de sua vida de metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP) e sua trajetória política até ser eleito em 2002."Para mim o capitalismo nunca foi um conceito abstrato", escreve.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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