Lula diz não ter 'olhar mesquinho' e repassa verba à oposição

Presidente afirma que Serra recebeu mais dinheiro federal agora do que Covas: 'Tenho atitude republicana'

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

19 de setembro de 2008 | 16h27

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 19, que os governos estaduais e as prefeituras, mesmo quando governados por integrantes de partidos da oposição, são muito mais beneficiados hoje, em seu governo, do que nos governos que o antecederam. "Tenho uma atitude republicana. Não tenho o olhar mesquinho. Não quero saber se o governo é do DEM, do PMDB, se o governante é vascaíno ou corintiano, se é evangélico ou católico. Quero saber se o povo tem condições de receber os investimentos e ser beneficiado", ressaltou o presidente. "As coisas mudaram no meu governo. Hoje, entra no Palácio do Planalto quem fala mal e quem fala bem do governo", afirmou. "Se perguntar ao governador de São Paulo (José Serra, PSDB) o que ele recebeu nesses dois anos, foi mais do que o Covas (Mário Covas, PSDB, ex-governador de São Paulo entre 1995 e 2001) recebeu em seis de anos de governo", citou. "A Yeda (Yeda Crusius, PSDB, governador do Rio Grande do Sul), que está há dois anos no governo, já recebeu mais que os governadores anteriores nos últimos oito anos", continuou. "Pode perguntar para o Aécio (Aécio Neves, PSDB, governador de Minas Gerais), para o Cássio (Cássio Cunha Lima, PSDB, governador da Paraíba), que não são do meu partido", acrescentou. "Pergunte para as prefeituras, para o prefeito de São Paulo (Gilberto Kassab, DEM), para o prefeito do Rio de Janeiro (Cesar Maia, DEM). Pergunte se receberam nos oito anos do governo anterior 10% do que eu beneficiei", declarou. Lula deu as declarações durante discurso em Mossoró, onde participou da inauguração de novos prédios da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), da inauguração da usina termelétrica Jesus Soares Pereira (Termoaçu) e da assinatura de protocolo para implantação da refinaria Clara Camarão em Guamaré. Lula voltou a destacar que a situação do Nordeste melhorou muito em seu governo e que continua a melhorar. "Quando chegamos, em 2003, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) tinha disponibilizado R$ 260 milhões para crédito no ano de 2002. Nesse ano, o banco já disponibilizou R$ 13 bilhões em crédito", citou. Apesar disso, o presidente ponderou que o País ainda possui uma dívida grande com a região. Lula destacou que a situação do País está melhorando, e que se os adversários estão preocupados com esses avanços, terão que esperar até 2010 ou ainda depois. "A dinastia economicista que governou esse País nos últimos 40 anos está perdendo para a engenharia e o produtivismo", declarou. "No próximo ano, somente em escolas técnicas vou inaugurar mais cem. Não quero deixar nada que eu comecei para 2011, então até 2010 ainda teremos muitas inaugurações", sustentou. "E se a sorte ajudar, teremos continuidade e as coisas vão melhorar muito mais", disse, referindo-se à possibilidade de eleger seu sucessor. Por diversas vezes durante seu discurso, Lula foi ovacionado pelas 2,5 mil pessoas que assistiam ao evento. Na saída, foi abraçado, beijado e fotografado pela população.

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