Lula diz não haver crise entre Executivo e Judiciário

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou hoje que não há uma crise entre Executivo e Judiciário. Reafirmou, porém, as críticas feitas na noite de ontem a declarações do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. "Não tem, não existe crise de Poderes neste País. Até porque cada Poder tem autonomia suficiente. E aprendemos que a estabilidade da democracia está no fato de respeitar a autonomia de cada um." E completou: "Da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da República pode dar palpite e julgar o palpite dos outros. Afinal de contas, estamos num debate político. Quanto alguém dá uma opinião, pode ouvir uma opinião discordante". Contudo, mesmo sem a irritação e emoção do comício da noite de ontem em Aracaju, Lula manteve as palavras duras: "É importante ter claro que no Brasil, quando se trata de palpite e opinião, as pessoas precisam concordar que outras podem dar palpite e opinião diferente das delas". No comício de ontem a noite, Lula reagiu a uma declaração do ministro Marco Aurélio, que questionou os programas sociais do governo definindo-os como eleitoreiros. "Primeiro: eu não citei o nome do ministro. Segundo: eu disse que se a lógica prevalecer, o governo federal não poderá fazer parcerias com municípios e Estados em ano de eleição, e que, num mandato de quatro anos, vai governar dois anos", afirmou em entrevista. "É impossível governar o Brasil de forma diferenciada, fazendo justiça, se não envolver pacto federativo com Estados e municípios. São os municípios que estão na ponta". O presidente frisou que o cartão do Bolsa-Família, programa visado pela oposição, não é entregue pelo presidente da República, mas pelos prefeitos de todos os partidos políticos. "Eu não sei de uma única pessoa por nome que recebe o Bolsa-Família", disse. Lula também comentou as reações de parlamentares às suas declarações na noite de ontem. "O Congresso tem direito de não gostar, mas eu não falei do Congresso. Falei de partidos". Ressaltou ainda que o PSDB e DEM estão questionando os programas sociais do governo por ser este um ano eleitoral.

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