Lula diz não acompanhar mensalão por 'ter de trabalhar'

O STF começou a julgar na última quarta-feira a admissibilidade do caso envolvendo 40 denunciados

LISANDRA PARAGUASSU, Agencia Estado

23 de agosto de 2007 | 16h43

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconversou nesta quinta-feira, 22,  em relação ao julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre abertura de processo contra os 40 acusados do esquema conhecido como mensalão.  Veja Também:  Tudo sobre o mensalão   Ao ser questionado por um jornalista, ao final do almoço de encerramento do encontro da Associação Brasileira de Indústrias de Infra-estrutura de Base (Abdib), se estaria acompanhando o julgamento, o presidente respondeu que não, porque "eu tenho de trabalhar".  O STF começou a julgar a admissibilidade do caso na última quarta-feira. Nesta quinta, a ministra Joaquim Barbosa, relator do caso, afirmou que os argumentos da defesa devem ser rejeitados e desconstrói as falas dos 27 advogados que discursaram em defesa de seus clientes.  Barbosa iniciou a leitura do seu voto logo após a pausa para o almoço, afirmou que examinará "capítulo por capítulo" da denúncia e, ao citar as alegações feitas pela defesa, começou a rebater uma por uma. "Quanto às denúncias serem precipitadas, não há qualquer fundamento jurídico, e não há qualquer obstáculo ao oferecimento da denúncia", disse.    Ao final, Barbosa se refere diretamente ao caso do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. "Por fim, quanto à defesa de José Dirceu, que alega que querem imputá-lo um julgamento político, não há nenhuma base nisso.  São imputadas a ele acusações com base em vícios que analisaremos se são suficientes ou não pra abrir processo penal. Não há nenhuma oposição política contra Dirceu, mesmo porque o judiciário não cuida de temas de natureza. Eu rejeito todas as preliminares apresentadas", completou.  O Mensalão O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento.  Segundo Jefferson, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.   

Tudo o que sabemos sobre:
MensalãoLula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.