Lula diz expulsão da Odebrechet é jogada política do Equador

Presidente diz que tratará das ações contra a construtora brasileira após referendo que o país realiza domingo

Tânia Monteiro e Nalu Fernandes, de O Estado de S.Paulo,

25 de setembro de 2008 | 02h05

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou na quarta-feira, 24, como uma jogada política eleitoral a decisão de seu colega do Equador, Rafael Correa, de suspender as operações da construtora Odebrecht no país e de ordenar a ocupação militar de suas instalações. Mesmo insistindo que "ainda não está preocupado" com a ameaça de o Equador dar um calote de US$ 243 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), financiador das obras da empresa, Lula disse que aguarda um telefonema de Correa para conversarem como "dirigentes civilizados".   Veja também: Equador expulsa Odebrecht e ameaça não pagar o BNDES Ouça relato do enviado Roberto Lameirinhas    Em Nova York, onde participou da reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Lula referiu-se ao Equador como um "irmão menor", que só faz cobranças ao irmão mais velho (o Brasil). "Imagina na sua casa, com os irmãos menores. Você pode estar com a razão, mas eles ficam te cobrando coisas", disse Lula, reiterando a política de seu governo de paciência quase sem limites para com os vizinhos da região.   "No Equador, há eleições domingo. Vamos deixar a bola passar para resolver esse problema. Esse é o papel do Brasil", disse Lula, em referência ao referendo sobre a nova Constituição equatoriana. "Tenho certeza de que Correa vai me telefonar. Por enquanto, não quero ficar na base da especulação, porque tratar de relações entre Estados na base da especulação sempre acaba em bobagem."   A tática do governo brasileiro está sendo a de não alimentar o conflito e ressaltar o papel que o Brasil tem a cumprir no desenvolvimento das economias menores da América do Sul, como a equatoriana. Nessa linha, as palavras de Lula e do chanceler Celso Amorim foram medidas e eles não fizeram cobranças diretas a Quito.   Para o presidente, não se pode "criar um trauma" porque "a Odebrechet é importante no Brasil e o Equador importante nas relações com o Brasil". E ensinou: "se há uma divergência, é pra isso é que tem política. Tem de sentar-se à mesa e conversar e quem errou, paga o que errou, e a relação continua. Portanto, conserta-se o que está errado e a vida continua".   Com relação à ameaça do Equador de dar um calote no BNDES, Lula respondeu: "A empresa (Odebrechet) vai arcar com a dívida com o BNDES. A gente não pode criar nenhum trauma." Segundo ele, o problema será resolvido pelo diálogo.   Amorim reconheceu que o episódio com a Odebrecht pode afetar o bom clima entre os dois países e as iniciativas das companhias brasileiras de ampliar sua exposição no mercado externo. Mas afirmou que o governo equatoriano tem o direito de examinar e proibir a atuação da empresa no país. "Há preocupação", repetiu várias vezes.   Colaborou Denise Chrispim Marin

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