Lula diz estar aliviado por não concorrer em 2010

Em visita a Sergipe, presidente afirma que está colhendo o que plantou em seu primeiro mandato

Alexandre Rodrigues, ARACAJU e Tiago Décimo, PETROLINA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2005 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou ontem que se sente aliviado por não ter de enfrentar uma nova eleição no fim do mandato. Só isso, disse, já lhe garante "um dos melhores momentos" de sua vida. "Talvez porque eu não tenha que disputar a eleição em 2010, então é uma carga extraordinária que saiu das minhas costas", disse o presidente ao discursar ontem em Aracaju, onde participou do batismo da plataforma de Piranema, que vai operar no primeiro campo de exploração de petróleo da Petrobrás em águas profundas do Nordeste."Eu estou vivendo um dos momentos mais extraordinários da minha vida. Um momento em que sei exatamente o que é possível fazer, que dificuldades a gente tem que enfrentar, como enfrentá-las. E sei que vamos obter sucesso." Lula disse sentir-se agradecido por dividir o segundo mandato com governadores jovens , como o sergipano Marcelo Déda (PT), que lutam por recursos, fazendo da política não "um momento de ódio, mas de participação". Também contou que tem feito parcerias com governadores do PSDB, citando José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas: "Estamos vivendo uma nova dinâmica na democracia."Aos elogios de Déda à resistência da economia brasileira à crise financeira mundial, Lula respondeu que colhe o que plantou no primeiro mandato. Para ele, o Brasil vive um momento de tranqüilidade: "Não quero ser ufanista, dizer que tudo já foi feito, mas tenho consciência do momento que vivemos."SENAIÀ noite, ele visitou a obra de ampliação da Escola Técnica do Senai em Petrolina (PE) e lembrou que se formou torneiro mecânico em 1963, num curso do Senai. "O Senai foi a mudança que tive para deixar de ser um trabalhador de salário mínimo", disse aos alunos presentes. "Quando a gente vê jovens de 24, 25 anos presos, isso é fruto de políticas econômicas equivocadas. Durante 26 anos a economia não cresceu, mas agora que tudo começou a dar certo precisamos formar mais profissionais."Ele brincou com o representante dos alunos, Michel Ferreira da Silva, dizendo que podia virar presidente. "Porque antes só quem tinha curso superior podia. Era só advogado, engenheiro."

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