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Lula diz em entrevista a rádio que operação da PF desta quinta poderia se chamar 'Boca de Urna'

O ex-presidente criticou a forma como seu ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi abordado em pleno Hospital Albert Einstein e considerou a prisão um trabalho contra o Partido dos Trabalhadores na proximidade das eleições municipais

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2016 | 13h34

SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou na manhã desta quinta-feira, 22, a prisão temporária de seu ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como um trabalho contra o Partido dos Trabalhadores na proximidade das eleições municipais. Em entrevista à Rádio Povo, em Fortaleza (CE), o petista criticou a forma como a Polícia Federal abordou Mantega no Hospital Albert Einstein e, assim como já dito pelo presidente do PT, de manhã, afirmou que a operação poderia se chamar "boca de urna".

"O que me preocupa na operação de hoje, eu não sei qual é o fundamento, é a notícia de que o ex-ministro Guido Mantega foi preso dentro da sala de cirurgia que a mulher dele estava se preparando para fazer", disse Lula, em entrevista dada às 11h, depois de Mantega ser levado à Polícia Federal em São Paulo e antes do juiz Sérgio Moro mandar soltar o ex-ministro.

Lula afirmou que Mantega "é um homem que foi ministro da Fazenda, que tem residência fixa, e portanto poderia ser tratado como todo ser humano tem que ser tratado". O ex-presidente também destacou que não é de acreditar em delações premiadas feitas por presos e pessoas ameaçadas pela Justiça.

Ao comentar que a investigação que prendeu Mantega se trata de uma ação contra o PT, Lula disse que a operação acontece perto das eleições assim como ocorreu em 2012, quando o partido atravessou um período de pleito municipal em meio ao julgamento do processo do Mensalão. "Está chegando perto das eleições e outra vez eles vêm para cima do PT", falou.

Comentando o acatamento da denúncia contra ele, sua esposa, Marisa Letícia, e mais seis pessoas pelo juiz Sérgio Moro, há dois dias, Lula afirmou que se sentiu "muito ofendido pessoalmente" e pediu respeito ao magistrado. "Queria que ele me respeitasse como eu respeito ele e que não faça ilações a meu respeito", disse o petista. Ele afirmou novamente ser vítima de um processo "equivocado" com viés político "muito forte".

Eleições. O ex-presidente Lula afirmou na mesma entrevista que "é cedo" para fala nas eleições presidenciais de 2018. "Mas acho que os meus adversários estão quase me empurrando para eu ser candidato. Se terminar assim, vão terminar votando em mim", declarou.

Lula disse que a Operação Lava Jato não torna difícil o pedido de votos ao PT. Lula está desde ontem participando de campanhas eleitoral no Nordeste. "Está a mesma coisa pedir votos. Essas pessoas que não gostavam de mim ontem não gostam hoje". O petista disse ter gravado participações em programas eleitoral e outros materiais de campanha para "mais de 400 cidades" nestas eleições.

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