Lula diz duvidar de envolvimento de Dirceu com mensalão

Presidente não vê 'evidências' contra o ex-ministro da Casa Civil, acusado de corrupção e formação de quadrilha

23 de setembro de 2007 | 13h32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo, 23, em entrevista ao jornal americano New York Times,  duvidar do envolvimento do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT) com o mensalão.   Veja Também:   Especial: Os 40 do mensalão América Latina não precisa de um líder, diz Lula    "Eu não acredito que haja qualquer evidência de que Dirceu cometeu o crime de que ele está sendo acusado." O ex-ministro é processado por corrupção ativa e formação de quadrilha.     O presidente se mostrou otimista com a economia. "Estamos vivendo um momento promissor. O Brasil está vivendo seu melhor momento econômico." O jornal destaca indicadores como crescimento, queda do desemprego e controle da inflação, e também a aprovação popular de Lula.   A entrevista-que durou 75 minutos- no Palácio do Planalto, aconteceu três anos após o incidente da tentativa de expulsão do então correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter.     O New York Times classificou a entrevista de "a primeira conversa longa com um jornalista americano desde 2004", mas sem citar a reportagem na qual Rohter dizia que o consumo de álcool por Lula se tornara uma preocupação nacional. O presidente tentou cancelar o visto do repórter e só voltou atrás por causa da repercussão negativa.   Ao falar do mensalão, a entrevista destaca que episódios semelhantes poderiam ter abalado outro presidente, mas Lula continua firme. "Ele é o presidente Teflon. Nada cola", observa o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer.   Lula se recusou a dizer se alguém em especial o traiu: "Há centenas de empregados ao meu redor que eu não tenho a menor idéia do que fazem", esquivou-se.   Chávez   O presidente descartou a sugestão de que possa se tornar uma força na região, em contraposição ao venezuelano Hugo Chávez - que na semana passada fez duras críticas ao Congresso. "Nós na América Latina não estamos à procura de um líder", disse. "Não precisamos de um líder.   O que precisamos é construir harmonia política, porque a América do Sul e a América Latina precisam aprender a lição do século 20. Nós tivemos a oportunidade de crescer, de nos desenvolver, mas perdemos a oportunidade. Então, continuamos sendo países pobres."   Sobre biocombustíveis, o jornal destaca os planos ambiciosos de Lula e o acordo assinado na visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Indica ainda que as relações brasileiras com os EUA estão "aquecidas", enquanto houve alguns atritos com a Venezuela.   No fim da entrevista, que lembra sua trajetória, Lula reiterou que, ao encerrar o mandato, pretende voltar a São Bernardo do Campo. "Eu não vou para um programa de graduação na Harvard", disse, dando uma estocada no antecessor, Fernando Henrique Cardoso. "A única coisa que quero é ser tratado como amigo por aqueles que eram meus amigos."

Mais conteúdo sobre:
MensalãoDirceuNey Tork Times

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.