Lula diz apoiar projeto de Chávez de reeleição ilimitada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje a iniciativa de seu colega venezuelano, Hugo Chávez, de propor a realização de um referendo sobre a possibilidade de implantação de um sistema de reeleição ilimitada para presidente da República e outros cargos do Poder Executivo da Venezuela. Porém, Lula fez a ressalva de que não considera esse o caminho para o Brasil. "Obviamente, eu vou trabalhar para fazer o meu sucessor", disse o presidente brasileiro, durante entrevista em El Diluvio, no norte da Venezuela, onde visita o Projeto Agrário Socialista Planície de Maracaibo.Mas, sobre as pretensões do presidente venezuelano, Lula declarou: "Chávez é jovem e aguenta um novo mandato". Ele insistiu em que a questão da reeleição está relacionada "à cultura e à vontade de cada povo". O presidente brasileiro argumentou que o processo democrático se traduz na garantia a todos os candidatos de participarem dos pleitos eleitorais nas mesmas condições. Lula foi questionado sobre o tema da reeleição enquanto estava ao lado de Chávez, no sétimo encontro bilateral do mecanismo de reuniões trimestrais entre os dois presidentes.O presidente brasileiro aproveitou para dar uma alfinetada no seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Ele afirmou que, se a economia brasileira estivesse bem no período de 1998 a 2002, e as pesquisas indicassem alta popularidade do então presidente, teria aparecido um deputado com uma proposta de emenda constitucional para uma nova reeleição. EsquerdaSegundo Lula, o questionamento de projetos de reeleição surge apenas para candidatos de esquerda que se mostram mais fortes. Insistiu em que "ninguém perguntou" ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sobre a intenção dele de aprovar a reeleição em seu país. Disse também que ninguém questionou os primeiros-ministros de países europeus que se mantiveram nos cargos por longos períodos, como a britânica Margareth Thatcher. Na avaliação do presidente brasileiro, caberá aos eleitores venezuelanos definirem se querem ou não a reeleição ilimitada, que será motivo do referendo marcado para 15 de fevereiro, e se querem ou não um novo mandato para Chávez. "O dia em que o povo não quiser mais, não vai votar em você, vai votar em outro", afirmou Lula, dirigindo-se ao colega. Em um descuido, Lula chamou de "boliviano" o povo venezuelano, e corrigiu rapidamente o deslize.

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