Lula diz ao ''''NYT'''' duvidar de provas contra Dirceu

Presidente enaltece economia e evita falar do colega venezuelano

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

Três anos após o incidente da tentativa de expulsão do então correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sua primeira entrevista ao jornal americano, a ser publicada hoje. Nela, Lula disse duvidar do envolvimento do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT) com o mensalão: ''''Eu não acredito que haja qualquer evidência de que Dirceu cometeu o crime de que ele está sendo acusado.'''' O ex-ministro é processado por corrupção ativa e formação de quadrilha.Na entrevista de 75 minutos, no Palácio do Planalto, o presidente se mostrou otimista com a economia. ''''Estamos vivendo um momento promissor. O Brasil está vivendo seu melhor momento econômico.'''' O jornal destaca indicadores como crescimento, queda do desemprego e controle da inflação, e também a aprovação popular de Lula.O New York Times classificou a entrevista de ''''a primeira conversa longa com um jornalista americano desde 2004'''', mas sem citar a reportagem na qual Rohter dizia que o consumo de álcool por Lula se tornara uma preocupação nacional. O presidente tentou cancelar o visto do repórter e só voltou atrás por causa da repercussão negativa.Ao falar do mensalão, a entrevista destaca que episódios semelhantes poderiam ter abalado outro presidente, mas Lula continua firme. ''''Ele é o presidente Teflon. Nada cola'''', observa o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer. Lula se recusou a dizer se alguém em especial o traiu: ''''Há centenas de empregados ao meu redor que eu não tenho a menor idéia do que fazem'''', esquivou-se.CHÁVEZO presidente descartou a sugestão de que possa se tornar uma força na região, em contraposição ao venezuelano Hugo Chávez - que na semana passada fez duras críticas ao Congresso. ''''Nós na América Latina não estamos à procura de um líder'''', disse. ''''Não precisamos de um líder. O que precisamos é construir harmonia política, porque a América do Sul e a América Latina precisam aprender a lição do século 20. Nós tivemos a oportunidade de crescer, de nos desenvolver, mas perdemos a oportunidade. Então, continuamos sendo países pobres.''''Sobre biocombustíveis, o jornal destaca os planos ambiciosos de Lula e o acordo assinado na visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Indica ainda que as relações brasileiras com os EUA estão ''''aquecidas'''', enquanto houve alguns atritos com a Venezuela.Lula apoiou a proposta de Chávez de criar o Banco do Sul e disse que mais de 50 especialistas da Petrobrás e da PDVSA discutem a construção de um gasoduto da Venezuela à Argentina. Uma questão crucial, ponderou, é saber se há gás suficiente para tornar o projeto viável.No fim da entrevista, que lembra sua trajetória, Lula reiterou que, ao encerrar o mandato, pretende voltar a São Bernardo do Campo. ''''Eu não vou para um programa de graduação na Harvard'''', disse, dando uma estocada no antecessor, Fernando Henrique Cardoso. ''''A única coisa que quero é ser tratado como amigo por aqueles que eram meus amigos.''''

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