Lula diz a senadores que não quer ficar ´refém´ do PMDB

No jantar que teve na última quarta-feira com senadores do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que não quer ficar refém do PMDB. Segundo parlamentares, Lula foi cauteloso a ponto de não usar palavras depreciativas nas referências que fez ao maior partido de sua base aliada. Mas deixou claro que precisa da ajuda dos petistas e até da oposição para não depender da boa vontade e das exigências dos peemedebistas. De acordo com senadores, é dentro dessa linha que o presidente vai chamar líderes da oposição para conversar sobre uma pauta nacional. Lula, porém, não adiantou quais são as propostas que se encaixariam nessa categoria. Entre os possíveis convidados da oposição, o presidente citou o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o líder tucano Arthur Virgílio (AM) e o líder do PFL, José Agripino (RN). Foi a primeira vez que o presidente se reuniu com a bancada de senadores no atual mandato. Dos 12, o único ausente era Augusto Botelho (RR), que está com dengue. Os senadores chamaram a atenção quanto à performance de Lula, agora - no segundo mandato, e o que a que encontraram em dezembro de 2004, no seu último encontro com a bancada. Eles asseguram que o balanço é positivo, não só pela forma clara como o presidente se manifestou sobre sua relação com o Congresso, mas também por demonstrar que não vai alimentar disputas com a oposição. "Ele vai procurar todos os partidos, independentemente de ser ou não da base", informou o senador Siba Machado (AC). "O presidente quer ter uma relação bastante aberta com todo mundo".O encontro na casa do senador Eduardo Suplicy (SP) - de cerca de duas horas e meia - também serviu para as queixas dos petistas. O senador Aloizio Mercadante (SP) atuou como uma espécie de interlocutor dos colegas. "Eu chutei o balde", contou, ao encabeçar as reclamações com a falta de atenção do Planalto para com a bancada de senadores. Como prova, lembrou que o ministro da Justiça, Tarso Genro - presente ao jantar - nunca se reuniu com a bancada no período em que ocupou a pasta de Relações Institucionais do governo. "A bancada muitas vezes não sabe o que está votando e não tem articulação com o governo", alegou. Já o senador Tião Viana (AC), se queixou do excesso de medidas provisórias. Segundo ele, 30% das que normalmente chegam ao Congresso seriam dispensáveis. Tião citou o caso da MP que liberou R$ 1 bilhão em crédito agrícola suplementar que, por ser do interesse da maioria dos parlamentares, poderia ser votada como projeto de lei num prazo recorde. Lula também fez uma reclamação. Segundo ele, nos momentos difíceis do governo, faltou quem o defendesse no Senado. Pela sua avaliação, teriam sido quando muito, "três" senadores rebatendo os colegas da oposição. Ele não citou nomes e nem foi contestado pelos parlamentares ali presentes.Este texto foi alterado às 19h28.

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