Lula diz à CNN que é o mais vivido do G-20

Ele relata infância e diz que supera todos quando o assunto é trabalho

Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 de março de 2009 | 00h00

A quatro dias da segunda cúpula do G-20, o canal de TV americano CNN pôs ontem no ar uma entrevista na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se diz um estranho no ninho toda vez que participa desse tipo de encontro. Para ele, o G-20 tornou-se um agrupamento mais representativo que o G-8, as sete economias mais ricas do mundo e a Rússia, para tratar dos grandes desafios mundiais nas áreas de economia, energia e clima. Mas, dentre os líderes que se reunirão em Londres, ele afirmou ser o único que veio da pobreza e da fome e frisou que conhece, na pele, o drama das inundações e do desemprego."Eu vivi em casas que eram inundadas, com até um metro e meio de água. De vez em quando, tinha de disputar espaço com ratos e baratas", disse Lula ao programa GPS, que o apresentou, em uma vinheta, como "o presidente com a maior popularidade do mundo". "Eu sei o que o desemprego significa porque fiquei sem trabalho por um ano e meio. Eu conheço o problema que um desempregado enfrenta. Eu conheço o mundo do trabalho mais do que qualquer um", completou o presidente, comparando-se aos líderes do G-20.Lula insistiu que, na cúpula, os EUA e os outros países ricos terão de enfrentar a questão da escassez de crédito com muita responsabilidade. Para ele, os pacotes de socorro ao setor financeiro devem ter, como contrapartida, compromissos de maior vínculo das instituições beneficiadas com o setor produtivo, para expandir investimentos e postos de trabalho.Casos como o da AIG, que pretendia manter bônus milionários para executivos depois de obter o socorro do Tesouro dos EUA, foram classificados de "escandalosos" por Lula.OBAMAA entrevista ao jornalista Fareed Zakaria, do GPS-CNN, foi gravada em 16 de março, em Washington, dois dias após o encontro de Lula com Barack Obama, na Casa Branca. Lula relatou ter dito ao presidente dos Estados Unidos que rezava muito por ele, em função do "grande teste" da crise econômica.Lula comentou que tinha consciência, em 2003, de que não poderia falhar. Caso contrário, por preconceito, nenhum outro líder sindical chegaria novamente à Presidência. Na condição de primeiro presidente negro dos EUA, concluiu ele, Obama tampouco poderá fracassar. "Eu disse a Obama que ele não tem o direito de cometer erros. Não acredito que Deus tenha posto ele lá por nada. Alguma coisa importante aconteceu neste país."O presidente afirmou que o Brasil e outros emergentes devem ter maior influência no centro do poder mundial - no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Mundial e no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Provocado por Zakaria, Lula defendeu o modelo institucional de Hugo Chávez na Venezuela e atribuiu as limitações de Caracas à participação das oposições nos embates eleitorais, à tradição política e à cultura local. Disse que, apesar das declarações ácidas de Chávez a Obama, cabe aos EUA serem "generosos" com os vizinhos. FRASELuiz Inácio Lula da SilvaPresidente"Eu sei o que o desemprego significa porque fiquei sem trabalho por um ano e meio. Eu conheço o problema que um desempregado enfrenta. Eu conheço o mundo do trabalho mais do que qualquer um"

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