Lula discutirá as presidências da Câmara e do Senado

A eleição dos postos de comando da Câmara e do Senado será um dos assuntos da reunião da coordenação política de governo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou para terça-feira. A expectativa de parlamentares com trânsito no Planalto é a de que, depois das férias, Lula dê prioridade à sucessão nas duas Casas legislativas. "Ele deve atuar no sentido de fazer a arrumação", previu o petista Tião Viana (AC), candidato à presidência do Senado.Na segunda-feira, Tião desembarca em Brasília para reforçar sua campanha e fazer mais um rodada de contatos com senadores, pessoalmente ou por telefone. Por outro lado, está prevista também uma reunião do presidente Lula com o senador José Sarney (PMDB-AP), ainda sem data marcada. O senador continua no páreo, mas decidiu não bater chapa no plenário com Tião Viana. Na condição de ex-presidente da República, Sarney entende que só poderá voltar ao comando do Senado se for um nome de consenso.A conversa entre Sarney e Lula, segundo interlocutores do presidente, deverá acontecer depois da avaliação política de terça-feira, quando será definida a estratégia do governo. Partidários da candidatura de Sarney esperam que Lula chame também Tião Viana para conversar, pois dependendo da posição oficial de Sarney, ele precisará ser compensado. O petista, por sua vez, acompanha as articulações nos bastidores de Sarney. Ele disse estar otimista e contabiliza inclusive sete votos no PMDB, que ainda tem a candidatura do presidente do Senado, Garibaldi Alves (RN), que disputa a reeleição. "Creio no entendimento e que serei candidato o único. Estou agindo com humildade e não posso reclamar do apoio que tenho recebido", ressaltou Tião Viana.CâmaraAlém da sucessão no Senado, o presidente Lula deve também promover uma "arrumação" na Câmara, onde três candidatos de partidos da base aliada disputam a presidência. Os aliados do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), esperam mais empenho de Lula nesta reta final para evitar traições na eleição, marcada para 2 de fevereiro. Candidato do chamado bloquinho, que reúne partidos de esquerda, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que já foi ministro de Lula, corre o risco de perder o apoio do PDT. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já declarou que a bancada abandonará Aldo para fechar com Michel Temer. A bancada vai se reunir no próximo dia 21. O deputado Ciro Nogueira (PP-PI) é outro candidato que busca dissidentes nas bancadas dos partidos governistas. E ainda corre por fora o deputado peemedebista Oscar Serraglio (PR), atual primeiro-secretário da Câmara, que está disposto a disputar como avulso no plenário.

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