Lula discute Defesa com PCdoB e PSB; Aldo é favorito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai discutir com o PCdoB e com o PSB uma nova política para o Ministério da Defesa. O deputado Aldo Rebelo (PCdoB), cujo perfil é o desejado para o cargo, nega que tenha sido convidado, mas dirigentes de partidos de esquerda confirmam que Lula ofereceu a pasta ao deputado comunista na semana passada. Além de ter trânsito nos meios militares (foi membro da comissão de Defesa da Câmara), Aldo preenche o perfil "institucional" desejado por Lula para a pasta. O presidente já nomeou pessoalmente o vice, José Alencar, e Waldir Pires, veterano político e ex-governador da Bahia. Há poucas semanas, chegou a cogitar entre amigos o nome do ex-presidente da República, José Sarney. Ex-presidente da Câmara, derrotado na eleição de fevereiro pelo petista Arlindo Chinaglia, Aldo Rebelo precisa avaliar a conveniência política de voltar ao primeiro escalão do governo. Ministro da Coordenação Política de 2004 a 2005, ele estuda candidatar-se à prefeitura de São Paulo em 2008 e já iniciou conversas com empresários paulistas para conquistar apoio a esse eventual projeto. As reuniões com o PCdoB e com o PSB devem acontecer ainda esta semana, dentro da rodada de consultas que Lula vem fazendo com aliados sobre a formação da equipe de governo. O presidente da República planeja vincular a Defesa à estratégia de desenvolvimento do País. Ele quer utilizar melhor as Forças Armadas em obras de infra-estrutura e implantação de políticas sociais. Nas reuniões que teve com a direção do PT e outros aliados, Lula expôs seu projeto de "construir um verdadeiro Ministério da Defesa." Por ser de um partido programaticamente nacionalista, Aldo Rebelo se identifica com os conceitos de soberania valorizados pelas Forças Armadas. Apesar do favoritismo de Aldo, confirmado por duas diferentes fontes da Reuters, o presidente Lula tem tido cuidado ao abordar o tema para preservar Waldir Pires, atual titular da pasta. Ele não quer que uma eventual substituição seja lida como um fracasso de Pires na condução da crise do setor aéreo. A dirigentes do PT, Pires afirmou que estava preparado para deixar o cargo, mas a um ministro amigo disse que está disposto a tocar a reformulação da Defesa se essa for a orientação do presidente.

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