Lula discursa e entrega prêmio a Rivellino na TV

O clima era de festa, a platéia estava repleta de atletas e celebridades do esporte, mas quem roubou a cena foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Corintiano roxo, Lula foi convidado a entregar na segunda-feira, em São Paulo, um prêmio a um dos maiores ídolos do Corinthians, Roberto Rivellino, na terceira edição do Troféu Mesa Redonda, da TV Gazeta, e para surpresa geral, compareceu. Justificou dizendo que sua presença era um gesto para o povo brasileiro. Em um rápido discurso em que abusou das metáforas futebolísticas, Lula defendeu a atuação do governo no auxílio aos times e enfatizou o papel do esporte e o do futebol como mecanismo de inclusão social. Sem falar abertamente na Timemania, loteria criada pelo governo para ajudar os times endividados com o INSS, Lula defendeu a intervenção estatal nos clubes. "Estamos tentando trabalhar para que os times tenham uma administração mais forte. Esses times não são uma empresa qualquer porque mexem com as cabeças das pessoas. A responsabilidade do governo é não virar as costas para os times com problemas", declarou. "Como o governo não vai fazer um sacrifício para salvar esses times?".De acordo com ele, os times precisam recuperar a capacidade de manter os jogadores no Brasil. Lula defendeu os atletas que deixam o País para atuar no exterior. "Tem gente que fala que os jogadores são mercenários. Mas não são, eles são artistas e, como todo artista, cobram o preço que acham que vale seu talento".Diante de técnicos como Luiz Felipe Scolari, Abel Braga, Murici Ramalho, Leão e Antônio Lopes, o presidente relembrou Ademir da Guia, Dudu e a seleção de 1974 em tom saudosista. "Hoje estou me sentindo mais gente porque não é aquela entrevista pesada". E completou: "No Brasil tem três coisas que nivelam ricos e pobres, pretos e brancos. Carnaval, praia e futebol. É nele que muitos jovens viram uma personalidade". Segundo Lula, são raras as profissões no mundo que oferecem a chance para jovens carentes ascenderem socialmente."O futebol é uma paixão nacional e está definitivamente no cotidiano, nos nossos domingos e nas nossas segundas. Na segunda é mais grave porque a gente chora, como eu, Leão, depois de ver o Corinthians jogar nesse sábado", brincou o presidente com o técnico corintiano. O time perdeu para o Ituano por 2 a 1. "Muita gente pensa que o papel do presidente da República é só ficar assinando decreto. Não, o papel do presidente é dizer: eu sou como vocês, tenho sentimentos, quando o time ganha fico feliz". Lula terminou o rápido discurso com bom humor: "Sou um azarado. Sou convidado para entregar o prêmio quando o Corinthians não ganhou um prêmio sequer".

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2007 | 09h14

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