Lula discursa e critica protecionismo dos países ricos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que a paralisação das negociações na Organização Mundial do Comérico (OMC) afeta os países em desenvolvimento. Em discurso na Cúpula África-América do Sul, em Abuja, na Nigéria, Lula reclamou do protecionismo dos países ricos. "Queremos ampliar o comércio de bens e serviços para promover o desenvolvimento dos nossos países, mas as barreiras protecionistas dos países ricos fecharam mercados aos nossos produtos", afirmou.Lula defendeu mudanças na estrutura do Conselho de Segurança da ONU. "O conselho reflete uma ordem mundial que não existe mais", afirmou. "Sua ampliação com novos acentos permanentes ou não permanentes é a chave para torná-lo mais legítimo e democrático", acrescentou.Na parte improvisada do discurso, Lula rebateu críticas dos "céticos". "Eu sei que muitas vezes as pessoas dizem que a reunião não aprovou nada e não decidiu grandes coisas para resolver os problemas de cada país", afirmou. "Mas quem faz política sabe que só o fato de reunirmos aqui figuras importantes da África e América do Sul demonstra que o século 21 poderá ser muito melhor".África-América do SulO presidente Lula pediu nesta quinta-feira, na Nigéria, que seus colegas sul-americanos e africanos estreitem seus laços a fim de criar uma associação que, segundo ele, "nunca foi tão necessária como agora". "A partir de hoje, a união da América do Sul e da África faz parteintegral da agenda diplomática de cada um de nossos países", afirmou.O Brasil é um dos principais patrocinadores da cúpula. Seis presidentes da América do Sul e 40 países africanos participam do encontro. Lula disse que o Brasil "é a segunda maior nação negra do mundo" e que, por isso, tem a África como uma "prioridade indiscutível" em sua agenda internacional.Khadafi e MoralesDepois do pronunciamento do presidente brasileiro discursaram os presidentes da Líbia, Muammar Khadafi, e da Bolívia, Evo Morales.Morales fez um discurso esquerdista, ressaltando que os países em desenvolvimento devem lutar para "salvar o planeta Terra" e garantir melhores condições de vida para os menos favorecidos. "É difícil defender os pobres, os marginais e os oprimidos", afirmou. "Falta solidariedade". Ele ainda citou a invasão do Iraque, sem entrar em detalhes.O ditador líbio, Muammar Khadaf, propôs a criação de uma aliança militar entre a África e a América do Sul, com o objetivo de proteger as regiões que sofrem com as "ameaças que o Norte impõe ao Sul". "Devemos ter como nos defender", disse o líder a dezenas de presidentes. "Por meio de uma aliança semelhante à Otan".Khadafi foi um dos quatro governantes que falou na abertura da reunião. Aos líderes, ele cobrou a criação de "uma plataforma sólida para que se faça um acordo histórico entre os continentes". "Temos que aproveitar nossas potencialidade, pois não podemos impor nada", concluiu. O ditador também lamentou as resoluções da ONU que, segundo ele, não são respeitadas, e disse que o Conselho de Segurança Nacional funciona como um "monopólio de alguns países".A reunião de cúpula se encerra na tarde desta quinta-feira, quando o presidente Lula retornará ao Brasil. Nesta manhã, ele se encontrou com o presidente líbio para um café da manhã, no hotel. O encontro estava previsto para quarta-feira, mas foi adiado e, ainda assim, Khadafi chegou com cerca de uma hora de atraso.

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