Lula deverá exigir ação de países ricos para conter crises

Tema deverá ser tópico central em discurso do presidente na ONU.

Bruno Garcez, BBC

23 de setembro de 2008 | 05h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá cobrar um papel mais ativo por parte dos países ricos para conter diferentes crises internacionais, não apenas a crise financeira, durante o pronunciamento que realizará nesta terça-feira, na abertura da Assembléia Geral da ONU. De acordo com fontes do governo brasileiro, o presidente pretende listar outras graves crises, além das graves turbulências que vêm abalando o sistema de finanças mundial. Lula falará sobre a crise alimentar, energética e sobre formas como nações ricas podem cooperar com países pobres a fim de ajudá-los a combater a pobreza e conter a imigração ilegal. O presidente deverá defender que as nações mais desenvolvidas precisam buscar programas de parcerias com os países emergentes e os mais pobres, para que os dois lados possam alcançar denominadores comuns. O pronunciamento do líder brasileiro seguirá provavelmente o tom das declarações que Lula fez nesta segunda-feira, durante sua participação em diferentes eventos, em Nova York. ''Eu acho que os Bancos Centrais, daqui para a frente, vão ter que começar a tomar medidas para dificultar a especulação financeira. Ninguém pode fazer do dinheiro de pensionistas um cassino. Ou seja, você quer ganhar dinheiro, ganhe em coisas que gerem emprego, que gerem mais renda. Mas especulando e depois querem dividir os prejuízos com os pobres? Nós não podemos aceitar isso.'' Lula criticou o que avaliou como uma postura hipócrita e contraditória dos representantes do sistema financeiro internacional. ''Quando ganham, ganham sozinhos, quando perdem, querem socializar'', comentou. A despeito das críticas que lançará, Lula conta que não pretende usar um tom alarmista. ''Vou falar um pouco da crise, sem causar crise. Obviamente, eu não poderia vir à sede da ONU sem falar um pouco da situação mundial", afirmou. "A situação não é tranqüila. Precisamos alertar os agentes mundiais sobre a crise", acrescentou, e em seguida emendou: "A gente tem que tomar alguma medida já."BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.