'Lula deve ser elogiado por transparência de cartões', diz Tarso

Petistas tentam minimizar crise dos cartões corporativos; ministro da Justiça chama impasse de "artificial"

Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo,

09 de fevereiro de 2008 | 12h56

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse neste sábado, 9, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ser elogiado pelo uso dos cartões corporativos, alvo de denúncias de uso irregular que já levaram à demissão da ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro.   Veja também: Veja a cronologia do escândalo dos cartões  Entenda o que são os cartões corporativos do governo  Despesas sigilosas do governo dobram em 4 anos e superam R$ 35 milhões Governo de SP gasta R$108 mi com cartão mas não detalha despesa PT quer CPI sobre cartões do governo de São Paulo Enquete: o governo deve acabar com os cartões corporativos?   Tarso afirmou que a investigação dos gastos do cartão deve ser comparativo entre o governo Lula e o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), período em que esse sistema foi implantado. "A transparência (nos gastos dos cartões) foi inaugurada pelo governo Lula. E o governo Lula deveria estar sendo elogiado", afirmou o ministro. "Vamos investigar os cartões, os últimos dez anos, e vamos ver quem tem mais transparência e mais cuidado com o recurso público e quem mais combateu a corrupção. Vai dar o governo Lula na ponta", disse Tarso, na chegada à sede do PT em Brasília para a posse do novo diretório e para a eleição da Executiva Nacional do partido.   O ministro classificou de "artificial" a crise gerada pelas denúncias de uso irregular dos cartões corporativos e acusou a oposição de explorar o tema porque está sem propostas para o país. "A oposição fraudou todas as suas expectativas e agora quer criar uma crise artificial com os cartões", afirmou.   O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, comanda a pasta que não registrou nenhum gasto com cartão corporativo desde 2005. Ele disse que não precisa do cartão, apesar de o Ministério ter um orçamento significativo por causa do programa Bolsa-Família. "É legítimo (o uso do cartão) desde que usado nos limites legais. Os excessos estão sendo apurados", disse Ananias, evitando comentar mais sobre o assunto.   "Tema menor"   Petistas que foram à posse do novo diretório preferiam tratar a crise dos cartões como um tema menor, mesmo quando eram lembrados de que a petista Matilde Ribeiro deixou o cargo depois das revelações dos gastos do cartão corporativo de seu ministério. O deputado Maurício Rands (PT-PE) disse que o caso de Matilde está na classificação de "erros administrativos" que estão sendo verificados no uso dos cartões.   "Não podemos fazer desse episódio uma crise nacional. O Brasil está diante de problemas grandes, com uma agenda mais importante. Se dermos a dimensão que (o uso dos cartões) não tem, não estaremos contribuindo para o País", disse Rands, que deverá assumir na próxima semana a liderança do partido na Câmara. Segundo Rands, o PT não deverá cobrar explicações da ex-ministra.   Rands usou a seguinte explicação para falar do aumento dos gastos sigilosos do governo. "O presidente Lula está mais presente no interior. Ele visita mais o interior, há mais obras no País e é natural que as despesas sejam maiores do que o governo anterior. São despesas diferenciadas. Antes, o contato com a sociedade era menor", procurou justificar o deputado.   Outros petistas atribuíam os gastos sigilosos à segurança do presidente. "A segurança deve ser preservada", afirmou a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT). Ele disse que desconhecia como são feitas as prestações de contas de seu governo. "É feita como no governo anterior, não fiz mudanças", resumiu.   O PT entrou para a reunião nesse final de semana ainda acertando os nomes para compor a Executiva do partido. A eleição, em dois turnos, realizada em dezembro do ano passado, que reelegeu o deputado Ricardo Berzoini (SP) para a presidência da legenda, apontou também a proporção de ocupação dos 21 cargos da Executiva entre as chapas que participaram da disputa. As correntes articulavam para levar a secretaria-executiva do partido que poderia ser ocupada pelo deputado José Eduardo Cardozo (SP) ou pelo deputado Jilmar Tatto (SP). Os dois disputaram à presidência do partido.

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