''''Lula deve ser elogiado pelo uso dos cartões''''

Para Tarso, sistema ganhou ?transparência? no atual governo

Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

10 de fevereiro de 2008 | 00h00

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria ser elogiado pelo uso dos cartões corporativos, alvo de denúncias que já levaram à demissão da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Tarso afirmou que a investigação dos gastos dos cartões deve ser comparativa entre a gestão Lula e a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando o sistema foi implantado."A transparência (nos gastos dos cartões) foi inaugurada pelo governo Lula. E o governo Lula deveria estar sendo elogiado", afirmou o ministro. "Vamos investigar os cartões, os últimos dez anos, e vamos ver quem tem mais transparência e mais cuidado com o recurso público e quem mais combateu a corrupção. Vai dar o governo Lula na ponta", disse, ao chegar à sede do PT, em Brasília, para a posse do novo diretório e a eleição da Executiva Nacional.O ministro classificou de "artificial" a crise gerada pelas denúncias de uso irregular dos cartões e acusou a oposição de explorar o tema porque está sem propostas para o País. "A oposição fraudou todas as suas expectativas e agora quer criar uma crise artificial com os cartões", afirmou.Após reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, defendeu a criação de uma CPI para investigar o uso dos cartões, sem se comprometer com qual deveria ser o alcance da apuração e mesmo se ela deveria ser mista ou apenas do Senado ou da Câmara. "Isso quem decide é o Congresso", afirmou. "A CPI vai servir para esclarecer sem buscar culpados. Se alguém fez mau uso do cartão deverá ser punido, mas a culpa não é do cartão, mas de quem o usou mal." A cúpula do PT voltou a defender Matilde Ribeiro na reunião da direção nacional. Os integrantes do partido referendaram nota divulgada no começo do mês, quando ela pediu demissão. "O erro da Matilde foi administrativo e já foi corrigido. Estão querendo transformar isso numa questão política. Não houve má-fé por parte da ministra", afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Ele disse que a pasta da Igualdade Racial será mantida com o PT, numa reação às articulações do PDT, que tenta emplacar o ex-deputado Caó no posto. "A vaga é do PT. Até porque a ministra Matilde Ribeiro fez uma gestão brilhante", afirmou. Petistas que foram à posse do novo diretório preferiram tratar a crise dos cartões como um tema menor. O deputado Maurício Rands (PT-PE) disse que o caso de Matilde está na categoria de "erros administrativos". "Se dermos a dimensão que o uso dos cartões não tem, não estaremos contribuindo para o País", disse Rands, que deverá assumir na próxima semana a liderança do partido na Câmara.

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