Lula deve marcar na Colômbia apoio ao combate às Farc

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Colômbia, a partir de amanhã, servirá para melhorar o comércio entre os dois países, mas terá como pano de fundo principal a tentativa brasileira de exercer o seu papel de liderança na América do Sul e aparar arestas nas relações instáveis entre colombianos e seus vizinhos. Na agenda de Lula estão conversas sobre o rompimento diplomático entre a Colômbia e Equador, o futuro do Conselho de Defesa da América do Sul e, mais importante, o apoio explícito à política do presidente Álvaro Uribe no combate às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).O apoio começará já na participação do presidente Lula na comemoração da data nacional da Colômbia, no domingo, em Letícia, fronteira com o Brasil. A cerimônia foi transformada em um ato pela libertação dos reféns ainda mantidos pelas Farc, com direito a apresentações de artistas colombianos - com a participação da Petrobras no patrocínio. O governo brasileiro pretende ajudar a Colômbia na briga contra os guerrilheiros por meio de ações de educação e saúde na área amazônica de fronteira, para reforçar a presença do Estado e minimizar a influência das Farc. Durante a visita, Lula se colocará oficialmente à disposição de Uribe caso sejam necessárias futuras negociações.A intenção do governo brasileiro, com esse gesto, é obter da Colômbia o fim das restrições a um projeto essencialmente brasileiro, o Conselho de Defesa da América do Sul, planejado e negociado pelo ministro da defesa brasileiro, Nelson Jobim. Apresentado durante a reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) em Brasília, em maio último, o conselho terminou se tornando um dos fiascos do encontro, por conta da resistência colombiana.Essa é a segunda visita de Estado do presidente Lula à Colômbia. A primeira foi em 2005. Desta vez, acompanhado por vários empresários, Lula quer tentar incrementar o comércio entre os dois países, hoje considerado pífio - em torno de US$ 2 bilhões e majoritariamente favorável ao Brasil. O presidente deve anunciar uma linha de crédito de US$ 650 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os interessados em participar da construção da ferrovia do Carare, considerada essencial para o transporte do carvão mineral produzido na Colômbia.

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