Alex Silva|Estadão
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Lula deu aval para Haddad conversar sobre unidade da esquerda com outros partidos

Coordenador do programa de governo do ex-presidente se encontrou com Ciro Gomes para tratar da criação de um ambiente favorável a esquerda nas eleições deste ano

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2018 | 18h49

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu aval para o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, coordenador do programa de governo do PT para a eleição de 2018, continuar conversando com outros partidos para a criação de um ambiente que permita a construção de uma unidade da centro-esquerda antes do início formal da campanha, em agosto.

Nesta quinta-feira, Haddad se reuniu com Lula para relatar o teor da conversa que teve com o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, na terça-feira durante jantar no apartamento do ex-deputado Gabriel Chalita.

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Segundo o Estado revelou, Haddad e Ciro falaram sobre a necessidade de construção de uma unidade da centro-esquerda que permita uma vitória na eleição de outubro. A conversa não girou em torno de nomes nem da possibilidade de um plano B caso Lula seja impedido de disputar a eleição.

O encontro de Haddad com Ciro provocou insatisfações na cúpula do PT. Dirigentes que participaram de reunião da Executiva Nacional do partido na tarde desta quinta-feira em São Paulo reclamaram da postura de Haddad que, segundo eles, reforça as especulações sobre um plano B a Lula. Em conversas reservadas, dirigentes ressaltaram que o ex-prefeito não fala em nome do partido. Alguns interpretaram o encontro como um sinal de que Haddad se movimenta para ser o vice na chapa de Ciro, hipótese que o ex-prefeito nega.

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O PT avalia que os demais partidos de centro-esquerda se preparam para ocupar o vácuo que pode ser aberto com a proibição de Lula ser candidato.

Durante a reunião, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse à cúpula petista que conversou com Haddad para esclarecer o teor da conversa com Ciro. Segundo relatos, Gleisi chamou a atenção para o risco de lideranças petistas darem margem a especulações sobre o plano B e ressaltou o fato de Haddad ser o coordenador do programa de governo, posição que dá mais peso às ações políticas do ex-prefeito.

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“Essa história de plano B está sendo pautada de fora para dentro”, disse Gleisi, segundo relatos de participantes da reunião.

A Executiva do PT também decidiu intensificar as conversas para formação de alianças nos Estados, congeladas em parte por causa do julgamento de Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e da possibilidade de prisão do ex-presidente, assuntos que têm consumido a agenda das lideranças petistas.

De acordo com integrantes da Executiva, ficou acertado que nas negociações nos Estados a direção partidária vai reforçar a posição de que Lula é o único pré-candidato do PT e que o partido vai insistir no nome do ex-presidente até o fim. O objetivo é afastar os boatos sobre o plano B.

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