Lula descarta disputar cargo de secretário-geral da ONU

'O secretário-geral deve ser um técnico, um burocrata. Não pode ser um político', afirmou o presidente, que também comentou a derrota da seleção argentina

Leonencio Nossa, Agência Estado

03 Julho 2010 | 16h46

Lula participa da Cúpula Brasil - CEDEAO ( Cúpula da Comunidade Econômica dos Estados da África do Oeste), na Ilha do Sal, em Cabo Verde

 

CABO VERDE - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou a possibilidade de disputar o cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Em entrevista no começo da tarde deste sábado, 3, após encontro com chefes de Estado da África, ele disse que a entidade deve ser comandada por um "bom burocrata" e ironizou o governo norte-americano, que se opôs à proposta de sua candidatura levantada por dirigentes europeus. "O secretário-geral deve ser um técnico, um burocrata. Não pode ser um político", afirmou. "Um político pode criar um problema muito sério. Imagine se amanhã o presidente dos Estados Unidos quiser ser o secretário-geral da ONU? Não dá certo."

 

Logo depois da declaração, Lula se esforçou para demonstrar diplomacia no campo do futebol. Questionado sobre a eliminação da Argentina na Copa da África pela Alemanha, o presidente disse que estava "muito triste", sem segurar, no entanto, um sorriso de ironia. "Eu me definho, fico triste, quando cai um time do Mercosul", disse.

 

Hospedado em um hotel frequentado por europeus na ilha de Sal, no arquipélago de Cabo Verde, Lula foi cumprimentado por torcedores alemães, que, animados com o resultado do jogo, pediram para tirar foto com ele. Rindo, o presidente posou para fotografias.

 

Em seu 11º e último giro oficial pelo continente africano como presidente, Lula foi homenageado por 13 chefes de Estado do oeste da África que participam em Cabo Verde de um encontro de cúpula. O desejo do presidente era chegar a Johannesburgo no próximo dia 8, última escala de sua viagem à África, para assistir a seleção brasileira na final da Copa. A derrota do Brasil para a Holanda, na sexta-feira, derrubou o clima festivo da viagem. Assessores do governo dizem que uma festa brasileira era o cenário mais desejado pelo presidente para se despedir do continente africano, uma ilustração "perfeita" de sua política externa.

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