Lula demite presidente e diretor dos Correios

Objetivo do presidente é tentar por um ponto final na crise que tomou conta da estatal; David José de Matos é o novo presidente

Leonardo Goy, Edna Simão e Karla Mendes / BRASÍLIA

28 Julho 2010 | 19h12

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu nesta quarta-feira, 28, o presidente dos Correios, Carlos Henrique Custódio, e o diretor de gestão de pessoas da estatal, Pedro Magalhães Bifano, para tentar por um ponto final na crise que tomou conta da estatal. O encarregado por informar Custódio de sua demissão foi o ministro das Comunicações, José Artur Filardi. Já a saída de Magalhães Bifano foi confirmada pela assessoria de imprensa da Casa Civil.

 

Em entrevista a jornalistas, Custódio disse que a decisão não partiu do ministério e, "ao que tudo indica" foi uma orientação da Casa Civil e do presidente Lula. Custódio recebeu a notícia pouco depois de participar de evento, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de lançamento do selo comemorativo aos 150 Anos do ministério da Agricultura.

 

Questionado sobre o motivo de sua demissão, Custódio afirmou que, na sua opinião, há uma questão política porque, segundo ele, do ponto de vista operacional, não há questionamento sobre sua gestão. "Posso discutir todos os números: faturamento, produtividade, salários e comparar com outros correios do mundo", frisou, ressaltando que, em sua gestão, a estatal conseguiu quatro anos consecutivos de lucro operacional.

 

O fato, no entanto, é que desde o início de junho, como mostrou reportagem do Estado, existiam rumores de que o presidente Lula iria demitir os apadrinhados do PMDB na estatal. Uma briga com diretores petistas estava inviabilizando os Correios do ponto de vista de gerência e confiabilidade. Foram identificados problemas até na entrega de correspondência pelo Sedex, um serviço que se apresenta na publicidade nos meios de comunicação como infalível.

 

Mesmo com a crise, o presidente Lula adiou o anúncio da saída de Custódio para não se desgastar com o PMDB no momento de definição de apoio partidário nos estados. Resolvido esse problema, não havia mais motivos para manter Custódio. As demissões de Custódio e do diretor de Gestão de Pessoas, Pedro Magalhães Bifano, serão publicadas no Diário Oficial de hoje. Porém estarão mantidos, pelo menos por enquanto nos cargos, os diretores Marco Antonio Marques de Oliveira (Operações) e Décio Braga de Oliveira (Econômico-Financeira) - que são bancados pelo PMDB.

 

Novo presidente

 

O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, anunciou na noite desta quarta o novo presidente dos Correios: David José de Matos. Ele foi funcionário da Eletronorte por 26 anos e nos últimos anos estava ligado a funções do governo do Distrito Federal. Os últimos dois cargos que Matos ocupou no GDF foram a presidência da Agência Reguladora de Águas e Saneamento do DF (Adasa) e a secretaria-geral da Novacap (Companhia Urbanizadora de Brasília).O novo diretor de Recursos Humanos da estatal é Nelson Luiz Oliveira de Freitas e para o cargo de diretor de Operações, vago desde o mês passado, será nomeado Eduardo Artur Rodrigues Silva. A função estava sem diretor desde o dia 17 de junho, quando o então diretor Marco Antônio Oliveira foi demitido, conforme antecipou à época a Agência Estado.

 

O ministro afirmou que as demissões não são consequência das recentes denúncias acerca de hot site da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) - já retirado do ar - que dava dicas aos candidatos às eleições de outubro como fazer campanha usando mala direta. Ele negou também que seja uma decisão política. "O motivo é que estava sendo estudada pelo governo a necessidade de dar uma oxigenação nos Correios". Segundo Filardi, a decisão é "administrativa", em consequência das frequentes reclamações sobre o atraso das correspondências e encomendas nos últimos meses. Ele reconhece que esse serviço até melhorou nos últimos dois meses, mas o governo entendeu "que seria a hora de mudar a administração".

Mais conteúdo sobre:
Correios Lula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.