Lula demite brigadeiro a pedido do PSB

Chaves perde posto na Agência Espacial depois de brigar com Roberto Amaral

Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

O Palácio do Planalto atendeu ao pedido do presidente de honra do PSB, Roberto Amaral, e publicou no Diário Oficial de ontem a demissão do major brigadeiro da reserva Antonio Hugo Pereira Chaves do cargo de diretor de Transporte Espacial de Licenciamento da Agência Espacial Brasileira.

Chaves se desentendeu com Roberto Amaral, ex-ministro de Ciência e Tecnologia e atual diretor-geral brasileiro da binacional Alcântara Cyclone Space, durante reunião na semana passada, quando se discutiam os atrasos do projeto de lançamento do primeiro foguete de teste da empresa, o Cyclone 4, previsto para dezembro do ano que vem.

A discussão entre o ex-ministro e o brigadeiro foi áspera. Chaves e Amaral chegaram a esmurrar a mesa, até que o diretor da Cyclone xingou o major-brigadeiro, que, irritado, jogou um copo de água em Amaral. O caso foi revelado pelo colunista Merval Pereira, do jornal O Globo.

É a segunda vitória de Amaral e do PSB nos últimos dias. No início da semana, o Diário Oficial também publicou o aumento de capital da empresa, criada pelos governos do Brasil e da Ucrânia, em R$ 140 milhões. O capital era de R$ 347 milhões e passou para R$ 487 milhões.

Amaral não conseguiu ainda, no entanto, convencer a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a incluir as obras de construção da nova base de lançamento de Alcântara no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que agilizaria a liberação de verbas.

O projeto do lançamento do foguete está atrasado. Durante a discussão, Roberto Amaral teria atribuído o atraso do projeto e consequente adiamento do lançamento do foguete de teste às dificuldades causadas por desentendimentos com setores ambientais que cuidam da regularização da área, assim como pelos quilombolas que habitam Alcântara (MA), que reivindicam parte da área. Já o brigadeiro atribuiu os atrasos a gastos de recursos públicos de maneira inadequada e má gerência.

O pedido de demissão do brigadeiro foi levado por Sérgio Rezende, ministro de Ciência e Tecnologia, que substituiu Amaral no cargo, também sustentado pelo PSB.

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